Brasil industrializa pouca soja
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Sid Sauer 
A Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), de Campo Mourão, esmaga atualmente 50% da soja que recebe e não tem planos para aumentar e muito menos pensa em diminuir essa percentagem. Segundo o superintendente comercial da cooperativa, Roberto Petrauska, esse percentual faz parte de uma estratégia da empresa. Para nós, 50% é ideal. Nunca vamos direcionar 100% de um produto numa ponta só, completa. Ele argumenta que a cooperativa não pode ficar dependendo de bons resultados de apenas um setor do mercado.
Há épocas em qe é melhor comercializar a soja industrializada, mas em outras compensa mais a venda em grãos, explica. No total, a Coamo esmaga diariamente 4 mil toneladas de soja. São 3 mil toneladas esmagadas em indústrias próprias - uma em Campo Mourão, outra em Paranaguá - mais mil toneladas diárias terceirizadas. Ninguém no Estado industrializa tanta soja quanto a Coamo. Anualmente são cerca de 1,2 milhão de toneladas esmagadas, o que representa 18% da produção paranaense de soja.
Em todo o Estado, o desempenho das cooperativas chega a ser parecido com o da Coamo. É que todas as cooperativas juntas esmagam 8,6 mil toneladas por dia. Isto, numa média de 300 dias de trabalho por ano, chega a 2,58 milhões de toneladas. Este montante significa que as cooperativas paranaenses esmagam 40% da soja produzida no Estado ou cerca de 7,3% da produção nacional do grão. A nível de Brasil, no entanto, o esmagamento da soja está bem abaixo do padrão paranaense e não chega a atingir 10% da produção.
Segundo Petrauska, em todo o País são esmagadas diariamente 11,6 mil toneladas de soja por dia, o que durante o ano soma aproximadamente 3,48 milhões de toneladas, ou seja, 9,8% da produção nacional de 30 milhões de toneladas de soja. Se o País está industrializando pouca soja, no entanto, não é por falta de capacidade instalada de esmagamento. Juntas, as indústrias brasileiras podem esmagar até 117 mil toneladas diárias de soja, praticamente 10 vezes mais do que se industrializa atualmente.
Se a capacidade de esmagamento fosse toda usada, porém, faltaria soja. É que, trabalhando 300 dias por ano, as indústrias poderiam esmagar 35 milhões de toneladas do produto, contra uma produção anula de 30 milhões. Ou seja: no final das contas, faltariam 5 milhões de toneladas de soja para serem esmagados. A situação é não muito diferente no Paraná, onde a capacidade de esmagamento é de 10 milhões de toneladas/ano, contra uma produção de aproximadamente 7 milhões de toneladas do grão.
IndustrializaçãoNo caso da Coamo, a maior parte das 4 mil toneladas de soja esmagadas diariamente vai para o refino. A cooperativa tem uma das mais novas e modernas indústrias de óleo de soja refinado do País, que no ano passado produziu 82,7 milhões de latas de óleo. Outra parte da soja esmagada é comercializada como óleo bruto para outras refinarias. Disso tudo, ainda sobram 20% da soja industrializada, que vai para a exportação. Desde o ano passado, a cooperativa estuda ainda uma nova alternativa: a produção de margarina.
A indústria de margarina da Coamo deve ficar pronta no final do ano que vem. Por enquanto, o projeto, orçado em cerca de R$4,5 milhões para uma indústria com capacidade de produzir 60 toneladas diárias do produto, está em fase de viabilidade financeira e de definição de equipamentos. Por isso mesmo, as obras ainda não começaram.
Mesmo quando a nova fábrica estiver em pleno funcionamento, não será preciso aumentar o esmagamento de soja na Coamo. Já temos capacidade para atender essa nova indústria, explica Petrauska.


