Brasil ganha nova certificadora
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sábado, 27 de janeiro de 2001
Cláudia Barberato De Londrina 
A Associação Ecocert Brasil de Controle e Certificação, que foi oficializada na semana passada no Rio Grande do Sul, mantém clientes também em Santa Catarina e no Paraná; e trabalha junto a uma organização francesa, Ecocert França, utilizando métodos e tecnologias aceitos no mercado europeu para certificação de produtos orgânicos e exportação da produção.
A empresa, segundo os dirigentes, será voltada para cerfificação de alimentos orgânicos e poderá atuar também na diferenciação de alimentos livres de transgênicos.
A Ecocert Brasil contará com a representante da Ecocert francesa, Valérie Szajngarten e apoio da Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (OCERGS). A diretoria no Brasil será composta por dois franceses e pela agrônoma brasileira Lícia Brancher, que preside a nova organização. Além dos três Estados do Sul a certificadora atuará também no Amapá, onde já desenvolveu alguns trabalhos.
Critérios europeus Segundo João Augusto Vieira de Oliveira, secretário da Ecocert Brasil, no Rio Grande do Sul, a empresa está trabalhando também com a Cooperativa Tritícola Alto-Uruguai Ltda. (Cotrimaio), para o controle e certificação da produção de soja não transgênica e para a certificação de soja, trigo e milho orgânicos.
Há também negociações para certificação de plantas medicinais, frutas tropicais, guaraná e carne bovina em diversas regiões brasileiras. O fato do mercado europeu dar preferência a certificadoras que utilizam critérios e metodologia européia está nos ajudando, informa Oliveira.
Na França, a Ecocert existe há mais de 10 anos e detém, segundo Oliveira, 80% daquele mercado, sendo reconhecida em 55 países. No Brasil, depois do registro junto ao Ministério da Agricultura, será feito o treinamento de 12 inspetores.
A qualificação dos profissionais visa habilitar a Ecocert Brasil junto ao EAS - European Acreditation System, sistema europeu de credenciamento de certificadoras conforme as normas ISO 065, e à INFOAM - Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica, que reúne 640 organizações de 101 países.
Produção mundial A produção brasileira de alimentos orgânicos soma 100 mil hectares cultivados. A Argentina cultiva cerca de 380 mil hectares e os Estados Unidos, 900 mil. Na Europa, a área orgânica plantada era de 250 mil hectares, em 1987, e hoje chega aos 2,5 milhões de hectares.
O movimento mundial de alimentos orgânicos é hoje de US$ 8,7 bilhões, segundo a FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, que registra um crescimento do setor de 25% ao ano. No Brasil, ainda de acordo com a FAO, o faturamento com os produtos orgânicos deve ter chegado aos US$ 200 milhões, no ano passado, e o consumo interno crescido entre 30% a 50%. O preço de alguns produtos, registra a FAO, pode custar até 300% mais no mercado externo. Segundo o Ministério da Agricultura, o Brasil exporta hoje US$ 50 milhões em produtos orgânicos ao ano.


