Brasil faz alianças para produzir carne orgânica
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sexta-feira, 12 de outubro de 2001
Cláudia Barberato<br> De Londrina 
Para viabilizar a produção de carne orgânica pecuaristas de várias regiões se unem e estabelecem alianças com institutos de pesquisa, universidades, além de organizações não governamentais. O primeiro abate de animais produzidos neste sistema foi em agosto deste ano, em Nova Andradina (MS), no frigorífico Independência, que é certificado pelo Instituto Biodinâmico. Foram abatidas 150 cabeças vendidas para a Inglaterra.
A produção faz parte de um projeto desenvolvido pela Associação Brasileira de Pecuária Orgânica, criada recentemente. A oferta do produto ainda é pequena, mas existe uma demanda em expansão no mercado externo, influenciada pelos problemas sanitários em rebanhos criados em outros sistemas de produção.
A Associação Brasileira de Pecuária Orgânica, tem sede em Campo Grande (MS), mas reúne 10 pecuaristas de outros Estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná e até da Paraíba.
O objetivo, segundo o presidente da entidade, o pecuarista Homero Figliolini, é formar conexões em várias partes do País para a produção da carne orgânica, principalmente em regiões de maior ''fragilidade ambiental'', viabilizando não só a produção orgânica mas o meio ambiente e a sustentabilidade.
Ambientalmente correto A idéia da Associação de Pecuária Orgânica, segundo Homero Figliolini, é manter na planície do Pantanal as fazendas de produção de bezerros e na bordadura e corredores ecológicos que integram a planície ao planalto, as de recria, engorda e acabamento.
''Queremos fazer uma produção baseada no tripé: economicamente viavél, ambientalmente correta e socialmente justa.'' Este tipo de marketing da produção deverá atrair ainda mais os consumidores externos, cada vez mais preocupados, segundo Figliolini, com o consumo de alimentos saudáveis.
O objetivo da entidade é somar uma oferta de 100 mil matrizes orgânicas quando todas as fazendas estiverem certificadas, o que Figliolini estima que deve acontecer num prazo máximo de mais um ano. Outro objetivo é conseguir uma oferta contínua e padronizada de bezerros para cria, recria, engorda e abate.
Grande valorização A produção orgânica de carne, segundo o zootecnista e professor da Esalq, Cláudio Haddad, está direcionada a exportação do produto. Segundo ele, no exterior é possível conseguir prêmios de 15% até 40% a mais do que é pago a carne produzida convencionalmente.
Os grandes compradores, de acordo com Haddad, são os países da Comunidade Européia, Japão e os Estados Unidos, numa estimativa de 600 milhões de consumidores, sendo 300 mil só na Europa.
''A demanda dos países europeus não pára de crescer. Além da procura muito grande a oferta é limitada a poucos países. A Argentina é o país que produz em maior escala, seguida pela Irlanda, França e Itália. Mas a Argentina vive problemas sanitários e a tendência dos importadores é procurar outros fornecedores,'' avalia Haddad. Na Europa, segundo o professor, a produção é de bezerro de leite orgânico, outra tendência que o Brasil deverá investir.
Haddad é autor do projeto de conversão do tradicional (boi a pasto) para orgânico na produção de bezerros tipo carne da Fazenda Eldorado, no Mato Grosso do Sul, na região do Pantanal. Por enquanto a fazenda é a única da associação com certificação na produção do bezerro orgânico. O proprietário, Homero Figliolini, presidente da entidade, há dois anos está investindo no novo sistema de produção. A fazenda é certificada pelo Instituto Biodinâmico (IBD), de São Paulo, desde julho deste ano.
Fechando o ciclo Já existem outras cinco fazendas em processo de certificação para fazer a cria, recria e engorda dos animais orgânicos. Para dar continuidade ao processo, na outra ponta da cadeia há o frigorífico para o abate, o Independência, de Nova Andradina (MS), que também fará a exportação do produto. Segundo Haddad, o frigrorífico tem a certificação e duas propriedades onde são feitas a recria e a engorda dos bezerros orgânicos. ''O primeiro abate foi feito em julho desse ano.''


