Brasil exporta tecnologia para EUA
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sábado, 20 de janeiro de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
Os primeiros clientes das técnicas de controle biológico de pragas são os americanos. Somente os Estados Unidos já estão soltando no campo milhares de moscas da família Phoridae, para combater as formigas-de-fogo, ou lava-pés. Na Guiana Francesa, segundo a assessoria de Comunicação da Embrapa, três milhões de vespas Diaschasmimorpha longicaudata estão sendo soltas para controlar a mosca-da-carambola, que pode chegar ao Brasil e colocar em risco a produção de frutas do Norte e Nordeste.
E, no Peru, pesquisadores estão sendo treinados para utilizar fungos como o Metarhizium e o Beauveria, para controle de gafanhotos que vêm destruindo a agricultura peruana.
Os predadores dos insetos-pragas geralmente funcionam assim: a mosca ou a vespa, por exemplo, depositam seus ovos nos ovos das pragas e ali os filhotes dos predadores alimentam-se e destróem os ovos da praga.
Economia em agrotóxicosO uso de predadores naturais dos insetos-pragas, ou controle biológico desenvolvido pela Embrapa e exportado para nações americanas, diminui o emprego de agrotóxicos. Isto evita perdas, diminui a agressão aos seres humanos e ao ambiente.
No Brasil, o primeiro e mais conhecido caso é o do Baculovirus anticarsia, desenvolvido pela Embrapa Soja, para o controle da lagarta-da-soja. Depois, pesquisadores desenvolveram o mesmo princípio para o controle da lagarta nas plantações de mandioca do Noroeste do Paraná. Aqui o agente procurado é um vírus. No caso, o vírus da lagarta-da-soja e o vírus da lagarta-da-mandioca.
É um sistema de custo zero. Basta o lavrador sair nas lavouras e coletar lagartas mortas por vírus. Em seguida, ele põe as lagartas, com água, em liquidificador e tritura tudo; guarda em geladeira e quando as lavouras revelarem um nível de incidência de lagartas capaz de causar prejuízos econômicos, esparge, com máquina dorsal-manual ou com tanque motorizado. Depois, basta apanhar as novas lagartas mortas pelo suco de lagartas e aplicar de novo. Assim, além de gratuito, o sistema se auto-abastece.
Maior durabilidadeA Assessoria de Comunicação Social da Embrapa revela que a Embrapa Meio Ambiente está desenvolvendo sistema que prolonga a vida útil do mais famoso dos agentes biológicos de controle de pragas, o Baculovirus anticarsia. Esse bioinseticida está sendo microencapsulado. Este método evita que o suco de lagarta seja inutilizado, com o passar do tempo, pela radiação ultravioleta durante a estocagem ou aplicação do bioinseticida no campo. Hoje, o baculovirus é aplicado em mais de 1,4 milhão de hectares no Brasil (a tecnologia tem sido exportada também para a África, além dos países americanos). No momento o vírus predador elimina a aplicação de 1,2 milhão de litros de biocida nas lavouras brasileiras e proporciona economia de R$13 milhões ao ano.
Densidade de pragasA Embrapa está lançando um sistema que permite calcular automaticamente a densidade populacional dos insetos existentes em uma lavoura. Esse sistema, formado pelo aparelho e-Sprinkle, evita o desperdício de predadores naturais e principalmente de venenos. Menor risco para o homem e para o ambiente, além da economia na aquisição de pesticidas.
O e-Sprinkle funciona, utilizando imagens das amostras de pulverização, coletadas em papel sensível a água. Os cálculos fornecidos pela análise auxiliam técnicos a definir os ajustes necessários para aplicar o resultado da técnica.
O mesmo equipamento é aplicado para auxiliar os técnicos a aferir a aplicação de agrotóxicos. O sistema permite definir aonde e quanto aplicar de pesticidas. Existem áreas com excesso de veneno na lavoura, outras em que falta. O sistema indica se a pulverização é ou não eficiente.


