Brasil exporta menos frango, mas arrecada mais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de outubro de 2011
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem local 
As exportações brasileiras de carne de frango registraram entre os meses de julho a setembro deste ano uma queda, em volume, de 7,2% sobre o mesmo período de 2010. De acordo com o último levantamento realizado pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef), no total do último trimestre, o Brasil enviou para o mercado internacional 970.306 toneladas. Conforme números divulgados pela entidade, apesar do volume ter registrado queda, a valorização do dólar frente ao real aumentou a receita das exportações em 10,2%, somando ao todo US$ 2,039 bilhões.
Já no acumulado de janeiro a setembro desse ano, os embarques cresceram 1,66% sobre o mesmo período de 2010. Somados, foram 2,898 milhões de toneladas enviadas ao mercado externo.
Apesar de corresponder com apenas 4% das exportações de frango brasileiros, o Paraná tem sido beneficiado com o atual cenário cambial. De acordo com Roberto de Andrade e Silva, médico veterinário da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a alta do dólar, desde o primeiro semestre, já reflete positivamente no mercado paranaense. Dados divulgados pela Seab revelam que de janeiro a julho deste ano, o Paraná exportou 553.443 toneladas, 9.177 a mais sobre o mesmo período de 2010.
O especialista da Seab completa que além de um câmbio favorável para as exportações, os preços pagos pelo produto brasileiro em dólar, tiveram reajustes, o que beneficiou o setor produtivo. ''Só para se ter uma ideia do aumento de arrecadação, no Paraná, por exemplo, de janeiro a julho deste ano, o Estado arrecadou US$ 1.036.618.910. No ano passado, nessa mesma época, arrecadamos somente US$ 863.253.933'', aponta Silva.
O médico veterinário completa que a tendência do mercado é continuar com os preços aquecidos da carne de frango. Isso, na opinião dele, se deve à crescente demanda pelo produto de países como China e Índia. Para o gerente de relações de mercado da Ubabef, Adriano Zerbini, mesmo com a recuperação de preços, os valores da carne de frango ainda estão abaixo do ideal.
Zerbini explica que cada mercado comprador tem a sua devida demanda por cortes e cada um deles tem seus respectivos valores. ''Devido à isso, é difícil estabelecer um valor em específico'', aponta.
Questionado pela FOLHA sobre o motivo da redução do volume das exportações, Zerbini explica que são oscilações comuns de mercado. ''Um dos motivos foi a redução da importação da Arábia Saudita'', afirma. Segundo ele, em setembro, por exemplo, o país comprou 23 mil toneladas a menos do que se comparado ao mês anterior. O motivo, alega Zerbini, foi o início do período do Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos, período em que praticam o jejum.
Além disso, explica o gerente de relações de mercado da entidade, o embargo russo de três frigoríficos do Brasil, localizados nos estados do Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, aliado à volta das importações de carne dos Estados Unidos, fez com que a Rússia reduzisse a compra de frango do Brasil em 47%.
Preço ao produtor
Com uma tendência positiva de mercado, os preços pagos aos produtores paranaenses também estão em alta. De acordo com dados da Seab, a média de preço recebido em setembro foi de R$ 1,66 o quilo. Se comparado ao mesmo mês de 2010, o avicultor recebeu R$ 0,12 a mais pelo quilo do animal. Ainda de acordo com o levantamento da Seab, a variação de preços de janeiro a setembro foi de R$ 0,03, com pico registrado no mês de março, quando o produtor recebeu R$ 1,82 por quilo.


