Brasil está se livrando da doença
Brasil está se livrando da doença
Nelson Antunes
A sólida campanha de vacinação comandada pelo Ministério da Agricultura, governos estaduais, entidades de criadores e indústrias veterinárias tem todas as condições para erradicar a febre aftosa do Centro-Sul do Brasil. Segundo dados oficiais do Ministério da Agricultura, em 1997 foram registrados apenas três casos da doença no Rio de Janeiro e vacinados 80% do rebanho bovino do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, regiões que participam do Circuito Pecuário atendido pela campanha de erradicação da aftosa. No ano passado os laboratórios fabricantes comercializaram cerca de 200 milhões de doses, repetindo o desempenho de 1996. Porém, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, declarados livres da doença, vacinaram seus rebanhos apenas uma vez.
Em 98 novos avanços serão alcançados. Após RS e SC tornarem-se áreas livres, Paraná e Mato Grosso do Sul poderão ser decretados como tal em maio, e Minas Gerais e Mato Grosso, por exemplo, não registram qualquer caso de aftosa há mais de 24 meses. A conscientização é a principal responsável pelo excelente resultado alcançado em 1997.
No entanto, não se pode abaixar a guarda para a aftosa. Não podemos comemorar a erradicação da doença porque, efetivamente, ela ainda está presente e menosprezá-la pode significar sua volta com toda a força. Os governos estaduais e as entidades de criadores devem continuar insistindo para que os pecuaristas vacinem os seus rebanhos. De sua parte, o Sindan está mantendo contatos com o Ministério da Agricultura para intensificar a fiscalização no campo. Todo cuidado é pouco. A aftosa já prejudicou muito o Brasil no mercado internacional e é chegada a hora de dar um basta neste problema.
A lição tem que ser aprendida. Assistimos com olhos de inveja o governo argentino fechar contratos de exportação com a União Européia, o Extremo Oriente e até os Estados Unidos. Enquanto isso, vendemos menos de 300 mil toneladas ao Exterior. É muito pouco, todos sabemos. Reconhecemos, igualmente, que a febre aftosa tem uma grande parcela de responsabilidade nesse desempenho.
Para reverter esse quadro, é absolutamente necessário que todos os elos da cadeia produtiva continuem cumprindo a sua parte. Principalmente o criador, que não pode comemorar os números do ano passado e deixar de vacinar os seus rebanhos. Os pecuaristas precisam repetir o consumo de 200 milhões de doses este ano, para manter a imunização nos níveis atuais. Além de RS e SC, que novamente vacinarão o gado apenas uma vez por ano. MT e MS imunizarão somente os animais com mais de dois anos de idade.
Temos de provar que realmente aprendemos a lição. Os desafios do mercado global estão aí e a pecuária tem todas as condições de ocupar um lugar de destaque neste cenário. Para tanto, devemos dar um basta na aftosa. Esta é uma responsabilidade de cada um de nós..
O autor é presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).





