O secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Marcelo Junqueira, não informou o número de solicitações aguardando liberação, mas destacou que, atualmente, o total de estabelecimentos brasileiros habilitados para vender carne e outros produtos para a Rússia é 131. A maior parte recebeu a autorização no início de agosto, quando os russos permitiram que 89 empresas brasileiras vendessem produtos lácteos, miúdos e carne bovina, suína e de aves para seus importadores. No caso dos produtos lácteos, foi a primeira vez que o setor recebeu autorização. "Não tinham nenhuma empresa habilitada, hoje temos três empresas, uma já exportando", destacou o secretário.
O anúncio ocorreu simultaneamente ao embargo russo a produtos agropecuários de países com os quais têm divergências pelo envolvimento na guerra da Ucrânia e apoio aos rebeldes pró-russos. "Nosso padrão sanitário é reconhecido como um dos melhores, exportamos para mais de cem países. Carne de aves, chegamos a exportar para 155 países. O Brasil está dentro do mercado. É natural que qualquer grande comprador venha comprar do Brasil, mas outras questões (como o embargo russo a produtos de alguns países) a gente não comenta", completou Junqueira.
Ainda com o objetivo de conquistar o mercado da Rússia, o governo brasileiro participou na semana passada, acompanhado de 37 empresas, da World Food Moscow, maior feira de alimentos e bebidas do país europeu. Segundo Marcelo Junqueira, o saldo de negócios apurado pelo governo brasileiro ficou em US$ 106 milhões, mas ele considera o número conservador. "Muitas (empresas) preferem não informar (os contratos fechados), consideram segredo negocial. São aqueles que informaram o que nós temos confirmado."
Junqueira diz ainda que o Brasil está na entressafra da carne bovina, com preços mais altos. Além disso, o rublo, moeda russa, está desvalorizado, o que não favorece as importações. "Alguns negócios deixaram de ser fechados em função disso, mas acredito que serão retomados", declarou. (M.B./A.B.)

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