Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Emprapa), e do Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), se reuniram na semana passada, em Brasília, para, além de discutir resultados e outras oportunidades no campo técnico-científico, consolidar e ampliar a parceria feita há quatro anos pelas duas maiores instituições de pesquisa agropecuária do mundo.
Articulação institucional
Esse entendimento constitui a primeira Rede Interamericana de Pesquisa Agropecuária, e é realizada por intermédio do Laboratório Virtual da Embrapa no Exterior (Labex - EUA). O principal objetivo do Labex-EUA é a prospecção tecnológica e articulação institucional. ''Os pesquisadores nacionais compartilham instalações físicas, equipamentos e reagentes com o ARS'', explica Airdem de Assis, coordenador do laboratório. A partir de 2002, o laboratório terá a participação de sete pesquisadores brasileiros.
A estrutura do Labex-EUA é diferente das dos demais laboratórios. Ele é dividido em quatro áreas: Saúde Animal, Agricultura de Precisão, Manejo Integrado de Pragas e Doenças Vegetais e Propriedade Intelectual em Biotecnologia.
O setor de Saúde Animal procura identificar enfermidades animais. Na Agricultura de Precisão, são utilizadas técnicas para otimizar o uso de insumos na agricultura. Nesse trabalho, são empregadas três tipos de tecnologias: Sensoriamento Remoto Via Satélite, Sistema de Informações Geográficas (Gis) e Sistema de Posicionamento Global (GPS). A área de Manejo Integrado de Pragas e Doenças Vegetais trata da combinação de controle estratégico de pragas com o biológico. ''Nela, reproduzimos produtos químicos para combater as pragas de uma maneira mais eficaz'', disse o coordenador do Labex-EUA. O setor de Propriedade Intelectual em Biotecnologia tem a função de organizar as informações sobre as patentes. ''Estamos muito bem amparados em relação à propriedade intelectual'', ressalta Assis.
Bancos genéticos comuns
Segundo o coordenador do Labex, a partir de 2002, serão implantadas mais duas áreas. Um setor de Genoma e Proteoma, onde a intenção é construir bancos genéticos comuns. O outro, será de Agregação de Valor às principais commodities como, por exemplo, soja e milho. ''A partir desses dois produtos será possível desenvolver combustíveis e tintas'', explicou Assis.
Apesar da parceria existir há apenas quatro anos, ela já rendeu alguns resultados. Um deles foi em relação ao Mal da Vaca Louca. As pesquisas auxiliaram o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a conhecer melhor a doença e como defender o rebanho nacional. O outro foi o acordo entre a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e a Fundação de Viticultores do Estado da Califórnia, nos EUA, que objetiva o sequenciamento da Xyllela fastidiosa, causadora da doença de Pierce em viníferas, uma das mais sérias para a uva.

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