Garantir a qualidade da carne bovina brasileira desde o pasto até o prato do consumidor. Este é o objetivo do Melhoramento Animal, programa que busca tornar o rebanho mais eficiente e melhor preparado para ganhar o mercado externo, levando em conta fatores genéticos, ambientais, mercadológicos, alimentares e de manejo. ‘‘O Brasil está avançando muito bem na questão do melhoramento genético. Há diversas empresas atuando na área de forma competente e há abundância de material genético para trabalharmos de diversas formas, atendendo diferentes sistemas de produção. Há também predisposição do setor produtivo, que está aberto a receber esta tecnologia’’, afirma o zootecnista Luiz Otávio Campos da Silva, da Embrapa Gado de Corte de Campo Grande (MS).
Este e outros assuntos serão debatidos durante o 6º Encontro Nacional do Novilho Precoce, que será realizado entre os dias 18 e 20 de julho, no Fiesta Convetion Center, em Salvador, reunindo pecuaristas de todo o Brasil. ‘‘O encontro é fundamental para a discussão de estratégias, principalmente as relacionadas ao marketing internacional’’, lembra Rômulo Kardec, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e secretário de Agricultura de Uberaba (MG).‘‘A carne brasileira tem uma aceitação natural no mercado exterior, precisamos aproveitar bem esta situação criando, inclusive, estratégias de posicionamento’’, completa.
Rômulo afirma que todo o Programa de Melhoramento da ABCZ se alicerça na precocidade, já que a situação do Novilho Precoce é considerada ideal para a pecuária brasileira. Dependendo da raça e do cruzamento, um animal precoce pode ser abatido em até 18 meses com um peso acima de 16 arrobas. Na produção tradicional, o gado leva até quatro anos para ser abatido com o mesmo peso. ‘‘As condições do Brasil são bastante favoráveis ao Novilho Precoce, desde que haja cruzamento entre raças adaptáveis, como no caso do zebu’’, acrescenta Rômulo.
De fato, o sucesso de um programa de melhoramento zootécnico depende da boa adaptação genética do animal ao meio em que ele vive. Na opinião de Luiz Otávio Campos, os cruzamentos devem levar em conta as características que fazem o animal conviver bem com o clima e a forma de manejo praticado. ‘‘Não adianta fazer grandes manipulações genéticas, com cruzamentos perfeitos, sem que haja relação com o melhoramento da pastagem, sanidade, ecologia, economia e nutrição do animal, entre outros fatores’’, afirma o especialista.
Segundo ele, no caso da produção do Novilho Precoce, o melhoramento se faz ainda mais necessário, já que para um animal ser abatido em tão pouco tempo de vida, as condições devem estar sempre ideais, desde a sua concepção (quando as matrizes devem ser escolhidas), passando pelo gerenciamento da produção (que define o desenvolvimento ou não do animal), até o momento do abate. ‘‘Se tudo correr dentro do previsto, a maciez da carne é garantida’’, conclui o zootecnista.

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