Governo assume que a produção de soja nacional poderia conter a presença de genes modificados. O tema começou a ganhar destaque no início do ano, quando o Brasil informou ao governo chinês que a soja brasileira oficialmente seria convencional, mas que, em função de fazer fronteira com países que cultivam soja modificada, poderia haver presença de genes modificados no grão produzidos no país.
Em fevereiro deste ano, amostras colhidas pela Fiscalização Vegetal do Rio Grande do Sul em lavouras de Passo Fundo, Soledade, Tapejara e Lagoa dos Três Cantos apresentaram sinais de alteração genética em análise realizada pela Embrapa.
Prejuízos poderiam somar R$ 13,6 bilhões ao RS com a proibição do comércio e plantio de transgênicos. A MP assinada pelo presidente Lula, esta semana, resolveu uma questão imediata. O complexo soja foi o responsável pelo desempenho da balança comercial do agronegócio em 2002, o que representou US$ 20,3 bi. As exportações do complexo somaram mais de US$ 6 bi, resultado 13,4% superior ao valor de cerca de US$ 5,3 bi de 2001.
A falta de definição do Brasil (esta semana o governo deveria autorizar a comercialização da soja transgênica do Rio Grande do Sul) vinha colocando em risco as vendas de cerca de 8,4 milhões de t que serão colhidas pelos gaúchos a partir de abril próximo, especialmente para a Europa. A receita do estado com a soja é estimada em R$ 13,6 bilhões, o que representa 12% do PIB estadual. Considerando o preço da exportação em US$ 205/t, a perda direta com a soja que ficaria no próprio estado seria de US$ 1,75 bi. Calcula-se que para cada R$ 1,00 gerado na agricultura obtém-se R$ 6,00 em toda a cadeia do agronegócio.

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