Bovinos e piscicultura em destaque
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sexta-feira, 03 de maio de 2002
Cláudia Barberato<BR>Equipe da Folha 
Ribeirão Preto- No terceiro ano de inclusão do setor pecuário dentro da Agrishow (Feira Internacional Agrícola de Tecnologia em Ação), que aconteceu essa semana em Ribeirão Preto (SP), os expositores procuraram apresentar equipamentos, insumos e tecnologias que possam dar à pecuária maior produtividade, rentabilidade e competitividade. A preocupação, segundo Sérgio Magalhães, diretor de feiras da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), uma das entidades promotoras do evento, é que os expositores do setor pecuário possam apresentar aos produtores os avanços não só na área de máquinas, mas novidades na área de biotecnologia, genética, sistemas de produção animal, identificação eletrônica, programas de seleção animal, sistemas de rastreabilidade, entre outros.
No setor de piscicultura, segundo ano presente ao evento, o trabalho da Aquabel, empresa de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) chamou a atenção dos visitantes. O agrônomo Ricardo Neukirchner levou para a Agrishow 2002 o sistema de rastreabilidade genética de peixes, o mesmo que ele apresentou em Londrina, durante a Exposição 2002, que aconteceu de 4 a 14 de abril.
Quem visitou o evento pode conhecer todo o ciclo produtivo da tilápia rastreada: desde a produção dos alevinos até a degustação do filé de tilápia tailandesa. Esse peixe apresenta altas taxas de crescimento e conversão alimentar. A tilápia tailandesa tem 1,2% de conversão alimentar em ciclo produtivo de 120 dias, o que significa que a cada 1,2 kg de ração, ganha 1 kg de peso vivo.
Exame de retina
Uma das tecnologias que chamou a atenção dos pecuaristas foi o exame de fundo de olho que pode ser feito nos bovinos. A tecnologia é chamada de Optibrand de identificação e rastreabilidade bovina. A novidade chamou a atenção até do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que esteve presente na abertura do evento, na segunda-feira, dia 29. Pratini, aliás, realizou o exame em um dos animais expostos na Agrishow.
O exame é feito com uma câmera digital que possui um marcador biométrico chamado padrão vascular da retina (um padrão de vasos sanguíneos na parte posterior do olho mais confiável que as impressões digitais humanas) . A seguir todas as informações sobre o animal são inseridas num banco de dados.
A operação permite capturar de modo digital a imagem da retina e a associa à localização precisa do animal dentro da propriedade e é indicada para criações extensivas. Cada vez que é necessário fazer um manejo no rebanho é possível localizar os animais rapidamente dentro da propriedade. Outra vantagem, segundo o grupo pecuário, é evitar fraudes na oferta final do produto, já que a imagem é convertida em um código de barras único, criptografado com as coordenadas de posição do animal e as informações são inseridas no banco de dados pessoal do produtor para permitir localização rápida e eficaz.
O animal é rastreado e verificado do nascimento até o abate e a qualidade do produto pode ser garantida. Permite também estabelecer rapidamente quarentenas e conter surtos de doenças nos rebanhos. Segundo o grupo que apresentou a tecnologia o custo agregado do sistema é inferior ao custo atual de um brinco eletrônico da orelha e se paga pelo benefício que se pode receber em ofertar, sem fraudes, uma carne realmente rastreada.
A jornalista viajou a convite da Abimaq, promotora do evento.


