Bovinocultura conhece a homeopatia
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sábado, 14 de dezembro de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A homeopatia não é nova quando se refere aos seres humanos. Muito já foi debatido sobre esse tipo de medicamento, com profissionais da área expondo opiniões bem divergentes sobre sua eficácia. Para o tratamento de animais, a polêmica não é diferente, mas é fato que existe um aumento crescente da utilização desses produtos - ou fatores, utilizando o termo correto - para a prevenção e cura de doenças, além do controle de parasitas no campo.
Para o gado de corte e leite, alguns fatores estão bem difundidos e, em diversos casos, melhoram muito a situações dos animais, evitando gastos extras dos criadores.
Vale dizer que há mais de uma década existem laboratórios especializados em homeopatia animal licenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Apesar do mercado estar em ascensão, os fatores homeopáticos estão presentes em apenas 2% do rebanho brasileiro. De forma concisa, um dos conceitos da homeopatia é que o medicamento deve apresentar substâncias que causam o mesmo sintoma da doença. Já na alopatia, a ação é sempre contrária.
Formada na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1980, a veterinária Maria do Carmo Arenales é precursora da homeopatia animal no País. Ela ficava inconformada com o sacrifício de animais devido à falta de alternativas de tratamento ou porque eram caros demais. Ela começou a buscar alternativas para solucionar essa situação e encontrou na homeopatia uma saída para o problema. "Comecei a estudar de forma autodidata até conseguir uma especialização pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária", explica ela.
Como não havia legislação específica para a abertura de empresas homeopáticas na área veterinária, a especialista esperou 16 anos até que o Mapa concedesse a autorização para ela inaugurar um laboratório em Presidente Prudente (SP). A unidade foi aberta no ano 2000 com três funcionários em uma área de 310 metros quadrados. Hoje, possui 3,5 mil metros quadrados de área construída e atende 50 mil clientes. A empresa tem capacidade para produzir até um milhão de doses mensais de medicamentos. "Fui desenvolvendo medicamentos específicos: formulações para mastite, verrugas, carrapatos, fertilidade, etc. Com o tempo, o leque foi aberto para outras espécies de animais, como ovinos, suínos, equinos, aves, peixes, além dos pets", relata ela.
O carro chefe dos homeopáticos ainda são os bovinos, com resultados significativos (veja o box), tanto para o gado de leite como o de corte. Entre os benefícios, a veterinária fala da facilidade em medicar os animais - através de mistura no sal -, o risco zero de contaminação - que acontece com a aplicação de alopáticos - e também o fato de não haver resíduos dos produtos químicos no corpo dos bichos. "A carência é zero. Você pode abater o animal e retirar a carne e tomar seu leite imediatamente, que eles estão aptos para o consumo humano. Isso está documentado no Mapa desde novembro de 2011."
Pelas contas da especialista, quem utiliza seus produtos consegue reduzir em até 90% o custo de medicamentos de uso veterinário no caso do gado de leite e entre 60% e 70% no de corte. "Nós trabalhamos principalmente na prevenção, evitando gastos exagerados. Os medicamentos são preventivos e também curativos, o que muda é a dosagem que será utilizada."
Para os próximos anos, a veterinária não tem dúvidas de que cada vez mais a população vai conhecer esse tipo de produto. "Estamos antenados com o pecuarista e desenvolvendo novas tecnologias. Trabalhamos agora num fator para combater a mosca do estábulo, um problema muito grave que está atacando o País. É preciso entender que a homeopatia não é apenas para problemas mais simples de serem resolvidos."
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