Quando plantou 2,1 mil mudas de seringueira em sua propriedade em 1990, junto aos pés de café, o produtor Angelo Romeiro não imaginava que pudesse sobreviver somente com os lucros da planta. Há três anos, ele preferiu erradicar os pés de café para ficar somente com o seringal. E não se arrependeu. ''Para mim foi uma boa. Estou contente, a seringueira é um mercado garantido, pois a produção não atende o consumo brasileio'', conta Romeiro, cuja propriedade de pouco mais de 2,2 alqueires está localizada na região de Indianapolis (a 20 km de Cianorte).
Com a atividade, ele fatura R$ 1 mil por alqueire por mês. ''A renda é maior do que poderia conseguir com qualquer outra atividade agrícola na minha região'', informa. Em cada alqueire, ele tem pouco mais de mil plantas. Dependendo do período, cada árvore rende entre 800 gramas a 1 quilo de borracha por mês.
A erradicacão do café ocorreu num período em que Romeiro estava desanimado com o produto que estava prejudicado pelas doenças do solo. A atividade vinha decaindo em sua propriedade de solo arenoso. ''Quando comecei com a seringueira tinha pouca informação. Meu interesse primeiro foi para recuperar a terra. A terra melhorou bastante com o plantio mas com o tempo achei melhor tirar o café que já era muito antigo e não tinha uma boa produtividade'', conta Romero.
Morando com a mulher no sítio, ele mesmo faz a sangria em pelo menos 400 árvores por dia - a colheita deve ser feita nos horários mais frescos do dia. A sangria correta deve medir 43 centímetros de diâmetro, ocupando apenas meio tronco da árvore, a uma latura de 1,30 metro do solo. Todo látex colhido é vendido para uma empresa paulista que vem buscar o produto na propriedade. Pelo quilo da borracha ele recebe R$ 2,40.
Romero destaca as vantagens da heveicultura, como é chamada a cultura da seringueira. Exige pouca mão-de-obra, é resistente a pragas, produz durante 10 meses do ano e tem vida útil de até 35 anos. ''É uma cultura que não precisa de muito trato. Uso pouco adubo e não precisa capinar'', diz ele.
A produtividade pode variar de acordo com o manejo e a variedade genética de cada planta. Árvores originárias da espécie Malaia são as mais produtivas. O espaçamento indicado para o plantio é de 7 metros entre ruas e 2,5 entre plantas. A espécie mais recomendada para a região Noroeste do Paraná é a RRIM-600, a mesma produzida em São Paulo. Também existem as variedades GT-1, PR-255, PB-235 e IAM-873. A produção de borracha no Brasil é inferior ao consumo e o País importa o produto principalmente dos países asiáticos.

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