Presente pela primeira vez na 42ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, a raça Bonsmara é a grande novidade entre os animais expostos na feira. Os responsáveis por trazer os dez animais participantes são os pecuaristas Jayme Watt Longo e seu filho George, da Fazenda Barbacena, em São Pedro do Ivaí (62 km ao sul de Apucarana). O rebanho de Longo é composto por 44 animais recebidos em 1999 na forma de embriões importados da África do Sul, de onde a raça é originária. Os animais estão expostos no Pavilhão Fernando José Mendes (ao lado da Casa do Criador).
De acordo com informações da Associação Brasileira de Criadores de Bonsmara (ABCB), a raça é um bos-taurus (zero de zebu) perfeitamente adaptado ao meio ambiente do Brasil, podendo ser utilizado a campo para cruzamento industrial com 100% de heterose tanto em vacas nelore como nas F1. Além da rusticidade e produção de carne, outras vantagens são a precocidade, fertilidade, docilidade e resistência a grandes variações de temperatura. Utilizado em cruzamentos industriais, o bonsmara permite antecipar o abate dos produtos entre seis meses e um ano em comparação com o nelore. O peso da desossa também é 20% maior, conforme a associação de criadores.
Experiência positivaJosé Carlos Pereira Maldonado, administrador da Fazenda Barbacena, atesta as informações da ABCB. ‘‘Na fazenda, os animais são criados a pasto sem necessidade de ração, com excelente ganho de peso. E ficam no sol mesmo sob temperatura de 37 graus, pois são adaptados ao clima quente da África’’, disse.
George Longo comentou que decidiu investir na raça após observar sua adaptabilidade às péssimas pastagens e altas temperaturas da África do Sul. ‘‘É um animal que exige poucos cuidados e com rendimento igual ao de qualquer outra raça européia’’, revelou. Há dois anos trabalhando com a bonsmara, Longo planeja atingir um rebanho de 400 a 500 cabeças de gado puro criado em 180 hectares.
HistóriaA bonsmara é uma raça que foi desenvolvida pelo zootecnista Jan Bonsma a pedido do governo da África do Sul. O país, com pastagens pobres e temperaturas que passavam dos 45 graus, precisava de um rebanho mais eficiente na produção de carne que o gado Africâner - base da pecuária de corte sul-africana. Depois de muitas pesquisas, a nova raça foi fixada em 5/8 adaptado (Africâner) e 3/8 britânico (Hereford e Shorthorn). No Brasil, a bonsmara foi introduzida em 1999 a partir da importação de sêmen dos animais africanos.

mockup