Bons ventos para o milho
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sexta-feira, 16 de março de 2007
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná deve produzir 13,4 milhões de toneladas de milho neste ano entre a primeira e a segunda safra, mais conhecida como milho safrinha. Para a primeira é esperado um aumento de 13% na produção e para a safrinha de 33%. A safra de verão foi plantada em setembro e a colheita que começou em janeiro vai até maio. Até agora, já foram colhidos 40% dos 1,316 milhão de hectares plantados.
Neste ano, a área plantada no verão diminuiu 13% devido aos baixos preços do grão no memento da decisão do plantio. O preço começou a reagir no final de outubro. Mesmo com área menor, a expectativa é colher 8,645 milhões de toneladas. O aumento no volume de produção, entretanto, deve-se à boa ocorrência de chuvas, diferente do que ocorreu no ano passado quando as lavouras foram castigadas pela estiagem.
Com o aquecimento do mercado, quem ganha é o produtor. No dia 13 de março, a média paranaense do preço pago pela saca de 60 quilos era de R$ 16,83. No mesmo dia do ano passado, o valor médio da saca no Estado era de R$ 11,38. A valorização foi de 48%.
A engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura, explica que o mercado está aquecido em função dos preços internacionais. ''O preço do milho na Bolsa de Chicago, há um ano, estava em US$ 85 a tonelada e no início de março era cotado a US$ 171 a tonelada'', destaca. O que está movendo esta commodity é a demanda americana aquecida para a produção de etanol que começou em outubro. Hoje, os Estados Unidos respondem por 40% da produção mundial e dominam 60% do mercado internacional. Neste ano, os americanos vão plantar a maior área de milho em 60 anos. Com a alta demanda, os americanos estão deixando de atender nichos de mercado e o Brasil está podendo entrar neste segmento.
Margorete acredita que a demanda por milho para a produção de etanol deve durar de dois a três anos. ''A demanda está puxando e a oferta não está atendendo. Com isso, está na eminência de estrangular o mercado de carnes, frango e suínos que utilizam o milho para ração'', alerta.
Para o presidente do Sindiavipar, Domingos Martins, a demanda por etanol não vai prejudicar a alimentação das aves. ''Vamos ter uma super produção na safrinha do Paraná. O milho está bem remunerado para o produtor e deve continuar assim'', diz.
Neste ano, a área plantada é de 1,172 milhão de hectares com um aumento de 21% em relação ao ano passado quando foram plantados 971,5 mil hectares. Até agora, 62% do safrinha já foi plantado. A produção prevista é de 4,750 milhões de toneladas, 33% a mais que na safra anterior. Vale lembrar que é apenas uma previsão, porque com a chegada do inverno, a lavoura corre riscos com as geadas.
Apesar do alto volume de produção, a engenheira agrônoma do Deral acredita que no Paraná não vai faltar espaço para guardar o milho. Ela disse que na região Centro-Oeste do País podem ocorrer problemas porque a parte de infra-estrutura ainda está sendo organizada. Margorete não descarta a possibilidade de ter milho estocado em caminhões nas filas em direção aos portos. ''Eventualmente, podem ocorrer pontos de estrangulamento (em relação a estocagem)'', alerta.


