Bons ventos para a exportação
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sábado, 05 de dezembro de 2015
Victor Lopes<br> Reportagem Local 
Não há como negar: a bovinocultura de corte passou por uma década de trevas, com preços defasados, elevados custos de produção e perdendo espaço para a agricultura principalmente a soja sendo empurrada para áreas marginais e de difícil acesso no Paraná e outras regiões do Brasil. Mas, como a roda do agronegócio gira constantemente, o cenário atual é completamente diferente, e com boas expectativas para o ano que vem.
A mudança começou em 2014 e continuou muito positiva durante todo este ano. Os preços da arroba se mantiveram acima da inflação e o setor obteve ganhos reais no período. Outro ponto importante é com que a valorização do dólar, as exportações se tornaram peça chave para 2016, com abertura de novos mercados, já que o consumo interno de carne vermelha tende a cair devido à crise macroeconômica e o baixo poder de compra dos consumidores do País. Por outro lado, a dolarização dos insumos encarece os custos de produção, principalmente em áreas de confinamento de animais.
De acordo com os números do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab), de janeiro a outubro o Estado abateu 168,3 mil toneladas de carne bovina e não deve atingir os números de 2014, que fechou em 336,9 mil toneladas. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE), o gado de corte paranaense era de sete milhões de bovinos em 2013 (último número levantado), 9% menor do que em 2004.
O presidente da Comissão de Bovinocultura de Corte da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Rodolpho Luiz Werneck Botelho, relata que o menor número de matrizes encareceu o custo e a venda de bezerros. "Quando o mercado se deu conta da menor oferta, houve um aumento da procura pelos animais, e começou assim a recuperação do preço dos bezerros e, consequentemente, da arroba do boi gordo. Com isso, o produtor retornou os investimentos na pecuária de corte. Muitos trabalhando juntamente com a agricultura", explica.
Para Botelho, o ritmo mais acelerado do mercado não freará em 2016 e a arroba deve continuar a patamares interessantes, já que a oferta e procura estão reguladas. Desta forma, ele projeta um cenário positivo a médio longo prazo. "Hoje o Estado ainda tem um deficit de 500 mil bezerros por ano que se tornariam animais de engorda. Por outro lado, vemos os pecuaristas recompondo matrizes, comprando novilhos e buscando aumentar o rebanho. Isso não é uma resposta de curto prazo, mas com certeza a tendência e o ânimo do produtor são positivos".
O médico veterinário do Deral, Fábio Mezzadri, relata que muitos produtores estão interessados em retornar para a atividade, o que deve refletir nos números daqui quatro ou cinco anos. "É um processo longo, mas que deve melhorar a oferta de animais em alguns anos do Estado".
Com a boa recuperação das pastagens para o ciclo 2016, Mezzadri acredita em um aumento na oferta de animais nos frigoríficos. "O pico de ofertas será entre março e abril, o que pode arrefecer um pouco os preços, mas nem tanto. A média da arroba do boi gordo até agora ficou em R$ 143,3, em torno de 17,6% maior do que os R$ 121,8 do ano passado. A arroba deve continuar forte no ano que vem", complementa.


