Bons ventos na colheita da safrinha
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sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Ricardo Maia <br> Reportagem Local 
O cenário nunca esteve tão favorável para a produção do milho segunda safra no Paraná. O motivo não é a ausência da geada ou da estiagem que castigaram as lavouras do Estado na safra passada, mas sim os preços nunca antes vistos pelos produtores. Em alguns períodos, os valores pagos pela saca de 60 quilos do cereal já superaram a casa dos R$ 27 no Estado. Número bem diferente da média de R$ 22,50 pago em janeiro deste ano. No País, a cotação do produto está ainda mais alta, alcançando os R$ 33 a saca essa semana.
Com mais de 50% da área já colhida, o Paraná espera produzir nesta temporada 10,5 milhões de toneladas. De acordo com o último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o volume é 65% superior se comparado ao mesmo período do ano passado.
A pesquisadora do Deral, Margorete Demarchi, afirma que o crescimento da produção se deve a dois fatores: bom clima e aumento da área plantada com o grão, ação motivada pela alta no preço da commodity e também pela desvalorização do trigo. Neste ciclo, o Estado destinou 2,03 milhões de hectares para o cultivo de milho, 23% a mais do que em comparação com o ciclo anterior. ''O bom desempenho desta safrinha recupera, em parte, os prejuízos na produção de grãos causados pela estiagem na safra 2011/12 de soja'', salienta Margorete. As perdas no último ciclo da oleaginosa com a falta de chuvas chegou a 30% no Estado.
Grãos
O excesso de chuvas ocorrido no mês de junho em boa parte do Estado pode diminuir um pouco a margem de lucro dos produtores devido ao aumento da umidade dos grãos, já que nesses casos é descontado uma porcentagem do preço pago pela saca na hora da entrega do milho. Segundo Margorete, além desse problema, houve no Estado um aumento da incidência de doenças. ''Mesmo assim, acredito que isso não causará nenhum prejuízo significativo ao agricultor'', explica a pesquisadora do Deral.
O produtor Ricardo Amano, membro da cooperativa Integrada, plantou neste ano pouco mais de 100 hectares de milho segunda safra na região de Cambé. Ao todo, ele espera produzir até o final da colheita em torno de 104 sacas por hectare. No ciclo passado o produtor colheu apenas 62,5 sacas por hectare, devido à geada que atingiu a sua produção. Amano frisa que a safrinha deste ano está positiva, mas reclama que poderia ter sido melhor se não fossem os altos custos dos adubos e das sementes.
Ele sublinha que o valor da tonelada do adubo neste ano chegou a R$ 2,3 mil. ''No ano passado o preço do insumo estava em R$ 1,8 mil a tonelada'', completa. Amano aponta que o custo total de produção foi de 47 sacas por hectare. Ele completa que só em sementes e adubos, o investimento foi de 33 sacas por hectare. Além disso, salienta que as chuvas que atingiram a região em junho elevaram os índices de umidade do grão. ''Isso deverá ser descontado na entrega para a cooperativa'', lamenta o produtor.
O agricultor explica que o índice ideal de umidade no grão de milho é de 13%. Até agora, os valores registrados em sua propriedade estão variando entre 20% e 23% com até 2% de impurezas. ''O grão está pesado, mas a qualidade está relativamente boa'', completa. Ele espera um desconto na cooperativa de 13%, em média. Mesmo com essas adversidades, Amano está contente com o resultado obtido até agora nesta safra, principalmente levando em conta o valor alto pago pela saca de milho.



