Bons resultados com abobrinha e couve-flor
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sexta-feira, 20 de julho de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem local 
Diferentemente de Santa Catarina, que já possui resultados mais sólidos junto aos produtores do sistema de plantio direto em hortaliças (SPDH), o Paraná ainda tem poucos exemplos pontuais, mas que já demonstram que existe espaço aberto para a aplicação da tecnologia com bons resultados.
Um exemplo recente está na região de Cornélio Procópio, na propriedade de 5,5 alqueires do produtor Reginaldo Pagoti, na estrada do Pedregulho. Em sua área, 2,5 alqueires são destinados ao cultivo de laranja. Durante o inverno, há três anos ele aposta em olerícolas no restante do terreno, plantando repolho, couve-flor, brócolis e abobrinha. "Quinzenalmente planto em torno de 2,5 mil pés de repolho, dois mil de couve e 600 de brócolis, comercializando diretamente com uma rede de supermercados da cidade", explica.
Como o ritmo de olerícolas é mais volumoso no inverno, ele estava com uma área ociosa e descoberta durante o verão. Aí veio a proposta da Emater de fazer o plantio de plantas de cobertura nesta época e assim funcionar como palhada para as hortaliças meses depois. "Sempre pensei em forrar para manter uma cobertura e não secar tanto a terra, mas não tinha o que plantar. O técnico da Emater me trouxe algumas sementes e fiz uma área de consórcio milho com braquiária no verão, em torno de quatro mil metros quadrados. Formou-se, então, uma camada de cobertura bem grossa e há dois meses plantei abobrinha em cima. Já numa outra área, de dois mil metros quadrados, fiz cobertura de mucuna cinza com a couve-flor."
Em relação à abobrinha, a primeira satisfação do produtor foi ver seu produto limpo, já que em cima da palhada ele não tem contato direto com a terra. De forma geral, nas duas áreas ele ficou satisfeito porque o espaço fica mais fresco com a palhada, diminuindo a utilização de água. "Outro ponto é que a palhada abafou as ervas daninhas, não deixando sair muito mato. Em relação à produtividade, o meu solo é bem corrigido e não vi muita diferença. Mas acredito que de forma geral, com essa matéria orgânica, terei resultados bem positivos no solo (em longo prazo)."
Dá pra fazer!
Felipe Alvares Spagnuolo é extensionista da Emater há dois anos e atende as cidades de Cornélio, Nova Fátima e São Jerônimo da Serra, atuando com hortaliças com foco em orgânicos. Ele explica que a propriedade de Pagoti é uma unidade de referência na região (apesar do plantio ainda convencional) e que o SPDH tem muito potencial para crescer.
"A condição do Pagoti favorece (a técnica), porque ele tem uma janela de plantio para isso. Muitos querem fazer um ciclo de hortaliças seguido do outro. Como muitas vezes o espaço do produtor é reduzido e o calendário de entrega é curto, fazer o cultivo do adubo verde atrapalha no escalonamento de produção, gerando uma complexidade a mais no sistema. O produtor fica receoso, apesar de saber todos os benefícios (de utilizar a palhada)."
No geral, dependendo da variedade, o produtor precisa entre 60 e 90 dias para trabalhar com esse adubo verde, que coloca a conservação de solo em outro patamar na propriedade. "Na agricultura convencional, não pensamos muito nisso. A cobertura de solo preserva muitos micro-organismos benéficos, protege da seca, economiza na irrigação, mantém a umidade, além de gerar matéria orgânica e descompactar o solo. Os benefícios estão aí, basta encaixá-los no manejo das hortaliças", complementa Spagnuolo.


