Técnicos e agricultores que participaram do Show Rural nesta semana demonstraram otimismo em relação à manutenção dos elevados preços da soja praticados em 2002. A única possibilidade de uma queda nos preços, segundo eles, é se acontecer uma (improvável) redução no valor do dólar em relação ao real.
  ‘‘Só acontece uma queda de preços, se o dólar voltar aos R$ 3,00, mas isso não deve acontecer tão cedo’’, previu o produtor João Carlos Fiorese.
  Ele ressaltou que os produtores devem aproveitar a atual circunstância favorável para se captalizarem e para renovarem a frota de máquinas. Nem mesmo a possibilidade de uma safra recorde de grãos faz com que Fiorese admita a hipótese uma queda nos preços. ‘‘Grande parte de nossa safra será exportada, por isso não existe muito problema com aumento da demanda’’, completa.
  O produtor ressalta que, provavelmente, pela primeira vez, os três maiores produtores da América do Sul, Brasil, Argentina e Paraguai, terão uma safra maior que a dos Estados Unidos. Ele lamenta os subsídios dados pelo governo americano à seus produtores. ‘‘Com todos problemas que enfrentamos, como dificuldade para transportar a safra, conseguimos fazer frente a eles. Imagine se o governo americano não tivesse uma política tão protecionista?’’, questiona.
  O pesquisador Luís Carlos Miranda concorda com o produtor sobre a manutenção dos preços. Ele observa que os estoques mundiais de soja estão muito baixos. Além disso, segundo ele, a Argentina, terceiro maior produtor mundial, vem enfrentando dificuldades no plantio. ‘‘O valor da saca brasileira não depende, apenas, da Bolsa de Chicago como antes. O próprio mercado nacional já determina preços’’, declara.