Bons frutos são colhidos mais cedo
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sexta-feira, 18 de abril de 2003
Oswaldo Petrin<br> Reportagem Local 
A colheita na lavoura de José Mário Marques de Toledo, de Londrina, começou na terça-feira, coincidentemente no Dia Internacional do Café, que geralmente passa sem registro no Estado do Paraná. O último verão, bem definido, e o auxílio da irrigação proporcionaram uma maturação bem uniforme ''o que não é normal na nossa região'', ressalva o produtor.
A produção é orgânica e ele espera vender toda safra, cerca de 300 sacas, a 110 dólares/saca de 60 kg. É café cereja descascado, colhido com pano, catado. O preço foi sinalizado por importadores da Finlândia, que estiveram esta semana em visita à lavoura, em Londrina.
O custo de produção é bem menor que o convencional - garante o produtor, embora não tenha todos os dados sobre o que foi gasto.
Ele diz que tratou o café com adubo verde: nabo forrageiro no inverno e mucuna no verão. ''Como a florada foi muito forte, apliquei compostagem orgânica Humorgan, de Londrina, que é autorizada pelo Instituto Biodinâmico'', disse. O resultado foi considerado excelente pelo produtor: frutos uniformes, bom aspecto, aroma e uma bebida saborosa. A compostagem também ajuda a segurar a florada e a granação da próxima safra.
O café orgânico tem selo de qualidade do Instituto Biodinâmico, que é a agência certificadora para exportação. Nesta semana, os técnicos colheram amostras do solo ''para saber se foi aplicado algum produto químico, fertilizante mineral ou defensivo, vetados pela agricultura orgânica''. As amostras vão para uma análise na Alemanha.
Preço vai reagir - José Mário confia nos bons resultados também do café convencional, que cultiva nos distritos de São Luiz e Lerroville. ''A expectativa é boa. O governo vai comprar café do produtor a R$ 220,00/saca no mercado de opção'', informa.
O mecanismo funciona para melhorar o preço do café. José Mário lembra que em novembro o preço estava baixo, em torno de R$ 80,00, e os leilões de opção elevaram o preço para R$ 120,00.
Otimista, o produtor acredita na melhoria da qualidade do café consumido no Brasil. ''A qualidade do café brasileiro está melhorando. A Abic está num esforço muito grande - disse - para aumentar o consumo interno; pretende elevar de 13 milhões para 15 milhões de sacas. Mas isto tem que passar pela melhoria da qualidade. ''O trabalho da Abic é necessário'', resume.
Mistura - José Mário é um crítico dos cafés que estão no mercado marginal. Hoje há marcas de café que têm de tudo, menos café, segundo ele. Outras têm até café. ''Em alguns cafés existentes no mercado é possível encontrar centeio, milho torrado'', comenta.
Para o produtor, isso deprecia o café que é uma bebida importante para a saúde. ''No entanto, se um adolescente, ao tomar café pela primeira vez, encontrar logo um produto desses, ele nunca mais quer saber de café'', lamenta.
Os relatórios da Abic mostram cafés com até 60% de milho torrado, segundo Toledo. Mas é preciso confiar nesse trabalho da instituição Abic no sentido de moralizar o setor e melhorar a qualidade - afirma.
Na opinião do empresário, o consumidor também poderia dar sua contribuição, comprando apenas os bons cafés. Hoje em dia o brasileiro não é fiel à marca; ele opta pelo menor preço.
José Mário Marques de Toledo está no café desde 1952; também atua na área industrial -''Café Londrinense'' - que acaba de lançar na embalagem a vácuo - e se prepara para entrar no mercado com o café orgânico, de produção própria. Ele acha que vai ser mais fácil ganhar mercado com o orgânico, um produto diferenciado. Aposta em nichos, formados por pessoas de um nível cultural mais elevado, mais exigentes e preocupados com a saúde. ''Esses preferem os produtos orgânicos'' - afirma.


