Luiz OliveiraCorteO sorgo produz grande quantidade de massa verde que se transforma em silagem de qualidadeO uso racional do solo na contribuição para engorda da pecuária leiteira já não é mais novidade, mas algumas alternativas de uso podem enriquecer o rebanho e reduzir os custos para o produtor. O plantio de sorgo forrageiro no inverno é uma experiência nova para produtores de Leópolis (30 quilômetros ao norte de Cornélio Procópio), e tem mostrado bons resultados.
O proprietário do Sítio Mineiro (8 alqueires), Airton Pereira do Nascimento, com auxílio do técnico em agropecuária, Valdemir de Souza Modesto, está desenvolvendo um modelo de trabalho com o solo, pioneiro na região, chamado por eles de ‘‘dois-em-um’’.
Massa verdeO sorgo-forrageiro é resistente à estiagem e tem um bom crescimento, chegando a medir 2,5 metros de altura. Proporciona bom corte para silagem e sua rebrota é aproveitada para o pastoreio rotativo. A espécie comporta até 20 animais por alqueire, enquanto o comum são quatro cabeças por alqueire.
‘‘A experiência com o sorgo começou no ano passado, quando o produtor tinha dúvidas sobre o que plantaria na entressafra’’, disse o técnico Valdemir Modesto. Segundo ele, foi plantado milho na safra, destinado a silagem em uma área de dois alqueires. A produção alcançou 162 toneladas, ao custo total de R$ 2.300,00 (O custo por tonelada era R$ 14,30).
‘‘Como iria entrar o frio, deixar a terra quatro meses parada, facilitaria o crescimento de muita erva daninha, aumentando o trabalho para aração e gradagem, além do custo, é claro. Foi quando optamos pelo sorgo’’, explicou Modesto. Ele disse que o resultado foi acima do esperado e com contribuição do clima a área de dois alqueires produziu 217 toneladas, tendo um custo total de R$ 2.800,00 (R$ 12,90 por tonelada). Uma produtividade maior que o milho, com um custo menor por tonelada, avaliou o técnico.
‘‘Foi uma ótima alternativa e a minha produção de leite chegou a aumentar em 50%’’, afirmou o proprietário Airton Nascimento. Ele tem 41 cabeças de gado leiteiro, com uma produção de 270 litros por dia. Outra vantagem do sorgo, segundo Nascimento, é que exige menor uso de máquinas em cima do solo. ‘‘Uma simples gradagem já é suficiente para o manejo’’, diz ele.
A técnica é ideal para todo pecuarista, uma vez que o pasto é dividido em piquetes. Cada piquete mede 40 metros quadrados, evitando o desperdício de espaço. ‘‘Vale lembrar também que o sorgo tem um índice protéico de 12% no pastoreio e 6,5% no silo’’, ressaltou o técnico. Segundo ele, a espécie tem pouca fibra detergente neutra. ‘‘Quanto menos fibra tiver, mais o animal come e mais ele produz’’, analisa.

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