A Secretaria de Agricultura do Estado do Paraná (Seab), divulgou que este ano a área de trigo cultivado no Estado deverá ser de 750 mil hectares, repetindo o ano passado, mas segundo Sérgio Dotto, pesquisador da Embrapa Soja, em Londrina, esse quadro ainda pode mudar, com uma possível ampliação.
Na avaliação do pesquisador, são boas as perspectivas de preços. Os estoques mundiais e brasileiros estão em baixa, e a safra do ano passado (atingida pelas geadas e depois chuva na colheita) teve um prejuízo de 1 milhão de toneladas e o estoque hoje no País é zero.
A falta do trigo elevou o preço do grão que hoje está cotado em R$ 270/290 a tonelada. Há expectativa de ‘‘bom preço’’ permanecer até outubro, que é o início da colheita do Paraná. Esses aspectos farão, segundo Dotto, que muitos produtores optem pelo plantio do trigo este ano.
Além disso, ‘‘houve redução na área de safrinha de milho e atraso do ciclo da soja. Na Região Oeste do Paraná, por exemplo, a safrinha de milho deveria ter sido plantada em fevereiro, mas a soja foi colhida mais tarde e perdeu-se a época de plantio da safrinha e o trigo poderá ser uma opção para cultura de inverno’’, comentou Dotto.
ZoneamentoRespeitando o novo zoneamento para o plantio do trigo no Paraná parte das lavouras a serem cultivadas nessa safra já deveriam estar semeadas não fosse a falta de chuvas. A pesquisa está indicando a semeadura no Norte do Paraná, que inclui também o Noroeste (até a região de Umuarama), até o dia 20 de maio. No Oeste a semeadura pode ser feita até o dia 30 de maio e no Sul até 20 de julho. No Paraná como um todo o indicado é semear de 21 de março até 20 de julho, sendo abril o melhor mês. O período de plantio se estende um pouco mais no Sul para que o produtor possa evitar danos de possíveis geadas que, de modo geral, ocorrem em julho.
É no período que vai de 10 dias antes ou 10 dias depois do espigamento que o trigo é mais sensível a geadas. Por isso a pesquisa estabeleceu novos períodos de semeaduras em todo o Estado, fazendo um novo zoneamento para o trigo.
Falta água O ano 2000 foi o mais seco para o trigo na semeadura e durante toda a safra dos últimos 25 anos, segundo informações do pesquisador Sérgio Dotto. ‘‘Esse ano, por enquanto, também está havendo falta de chuva na época de semeadura.’’
Segundo o pesquisador, depois de uma chuva, o produtor ainda terá que esperar três dias para fazer a semeadura. Esse ano, segundo ele, alguns produtores do Norte Pioneiro já fizeram o plantio no seco, o que pode ser um risco quando essa semeadura é feita no modo convencional. Já no plantio direto a semente pode ‘‘aguentar’’ de 15 a 20 dias sem chuva porque a palhada que ficou da soja, mantém o solo mais úmido. No Norte e Norte Pioneiro a última chuva foi no final de março. Quem conseguiu plantar um pouco antes levou sorte.
A falta de água para boa germinação da semente pode provocar menor número de perfilhos no trigo. Os 30 primeiros dias da semeadura, sem chuva, são críticos para o trigo, e determinam o tamanho da espiga e número de perfilhos.
No plantio direto A pesquisa tem incentivado a semeadura do trigo em plantio direto, ‘‘que pode ser mais econômico para o produtor; especialmente no Norte do Paranᒒ, ressalta Dotto.
Em outras regiões do Paraná, segundo ele, o plantio direto já é bastante utilizado devido às vantagens de menor perda de água no solo e problemas reduzidos de erosão. ‘‘Quem faz o plantio direto deve fazer também a rotação de culturas’’, avisa o pesquisador. O manejo impede alta incidência de doenças, especialmente as foliares e das raízes.
Poucas sementes O pesquisador alerta que um dos problemas, além da falta de chuvas, deverá ser a disponibilidade de sementes. O Paraná já está recebendo o produto do Rio Grande do Sul. ‘‘Há variedades usadas naquele Estado que também são indicadas para o Paraná ’’, avisa.
A falta de sementes também deverá provocar o aumento do insumo. Assim como as lavouras para grãos, o trigo para produção de sementes foi afetado pelas geadas. Em 2000 o Paraná tinha uma disponibilidade de 2 milhões e 500 mil sacas de sementes e, este ano, tem apenas 1 milhão e 500 mil sacas. Dotto calcula que apenas 10% a 15% dos produtores de trigo têm sementes próprias.
Indicações da pesquisa A Embrapa está indicando para esta safra algumas variedades com maior disponibilidade no mercado, já conhecidas do produtor, que apresentam, segundo Dotto, características de ‘‘maior qualidade e rendimento e maior tolerância e resistência à doenças.’’ As variedades são: Iapar 78, BRS 49, Iapar 53, OR 1, CEP 24, CD 104 e BR 18.
A novidade, segundo Dotto, é a BRS 208, indicada para todas as regiões tritícolas do Paraná. ‘‘Ela tem alta tolerância a doenças, o que reduz os custos da lavoura com aplicação de fungicidas e atende às necessidades de mercado porque possui força de glúten, que é uma das exigências das indústrias, ou o chamado trigo pão.’’ A Embrapa está distribuindo nessa safra 240 toneladas de sementes básicas aos produtores de sementes. No ano que vem, após a multiplicação, esses produtores poderão colocar no mercado 2.400 toneladas de sementes da BRS 208.
Sem desperdícios Principalmente em anos de escassez de sementes, lembra Sérgio Dotto, outra preocupação deve ser com a densidade (quantidade de sementes por metro linear). De modo geral essa densidade varia pouco de variedade para variedade e fica na média entre 60 a 70 sementes por metro linear. Usar mais sementes seria um desperdício.
Cada variedade tem suas características, como altura, ciclo e resistência ou susceptibilidade a doenças. É importante o produtor saber dessa sensibilidade e em função disso planejar também a aplicação de fungicidas. Hoje uma aplicação, segundo o pesquisador, custa em torno de US$ 30 por hectare.
O controle das doenças, feitas no início do problema, garantirá maior rendimento da lavoura. Depois de instalado o problema e dependendo da extensão, se aplicar fungicida o produtor poderá estar jogando dinheiro fora. Existem algumas variadades que necessitam de no mínimo duas aplicações, mas isso vai depender da época de semeadura. Há outras regiões onde não é necessário fazer nenhuma aplicação.

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