O bom preço do feijão no mercado atual deve provocar o aumento da área plantada no Paraná nessa safra de águas, iniciada em agosto. No meio da semana, a saca de 60 kg estava cotada entre R$50 e R$55, em Londrina. De acordo com o engenheiro agrônomo Gilberto Martins Bello, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), a previsão é que 371,9 mil hectares (ha) sejam cultivados, contra 322,3 mil ha da safra passada.
O especialista acredita que sejam produzidas 426 mil toneladas, superando as 342 mil toneladas colhidas anteriormente na safra das águas. O Paraná é o maior produtor nacional de feijão. Na safra 2000/2001, o Estado obteve um total de 474 mil toneladas do produto, nas safras de águas, da seca e de inverno.
O plantio do cereal está atrasado nos campos paranaenses. No início da semana, apenas 7% da área total havia sido semeada, quando o normal, nessa época, é atingir 20% do plantio. Bello explicou que o atraso é decorrente da falta de chuvas e da demora na liberação de recursos do Pronaf para os agricultores.
Bom exemplo A adoção do sistema de plantio direto aliado ao cuidado crescente com o manejo e à utilização de variedades mais produtivas resultou na transformação das lavouras de feijão da região de Wenceslau Braz (117 km ao sul de Jacarezinho), Norte do Estado.
De acordo com Luiz Carlos Pereira, extensionista da Emater no município, um trabalho de conscientização dos produtores sobre a necessidade de adesão às novas tecnologias vem sendo feito de forma constante há mais de 20 anos, em parceria com Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e cooperativas. Como resultado, eles comemoram a triplicação do índice de produtividade.
No início da década de 80, os produtores cultivavam 22 mil hectares (ha) na região e obtinham 700 quilos (kg) por ha. Atualmente, o cereal é plantado em 15 mil ha, mas apesar da diminuição da área, a produtividade aumentou para 2,2 mil/ha. ''Alguns grandes produtores chegam a atingir 3,5 mil kg/ha'', revelou. No Brasil, a média geral de produtividade de feijão fica em torno de 600 kg e no Paraná, é de 1014 kg/ha.
Profissionalização O segredo para os bons resultados é a profissionalização dos agricultores através de cursos, palestras e dias-de-campo. Nesses eventos, os técnicos ensinam com manejar pragas, doenças e ervas daninhas, instruem sobre o zoneamento climático, divulgam variedades mais produtivas e orientam sobre a prática correta do plantio direto, responsável por recuperar as propriedades do solo da região e contribuir para o aumento da produtividade. ''Em Wenceslau Braz, São José da Boa Vista e Santana do Itararé, 98% dos produtores utilizam o sistema'', lembrou Pereira.
O pesquisador Marco Antônio Lollato, do Iapar, acrescentou que o trabalho corpo-a-corpo realizado pelo extensionista Luiz Carlos também é de grande importância para o sucesso do feijão na região. ''Ele acompanha o cultivo em todas as propriedades, orientando os agricultores e enfatizando a necessidade de aderir às tecnologias'', comentou.
União Para tornar o sistema de comercialização do feijão mais eficiente e melhorar a rentabilidade da cultura, os agricultores se organizaram criando a Associação dos Produtores de Cereais de Wenceslau Braz e Região. Há três anos, eles investiram em um armazém de beneficiamento de feijão e milho com capacidade para 605 mil sacas.
De acordo com Luiz Carlos, graças a esta iniciativa é possível, atualmente, comercializar cereais beneficiados em grande escala, o que chama atenção dos principais compradores e garante melhores preços. Ele informou que apenas a secagem dos grãos garante um preço 10% maior para o feijão. No caso do milho, o técnico afirma que os produtores ganham R$1,70 a mais por cada saca vendida.

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