Bom para quem vende e alto para quem compra
De acordo com o pecuarista Renato Aranha Mesquita, criador de nelore puro e gado comum (onde completa todo o ciclo de cria, recria e engorda), a Exposição valoriza os animais que são colocados à venda. Como todo criador, procura trazer o que tem de melhor para vender, fazer seu marketing. Os preços acabam também sendo os melhores.
DefasagemMesmo assim ele reclama da situação da pecuária hoje, especialmente do preço da arroba do boi, que não acompanha custos fixos de produção. De acordo com o pecuarista houve inversão de valores no setor após a implantação do Plano Real. O plano econômico trouxe aumento de consumo; a arroba subiu até a US$35 pela demanda expressiva de carne. Com isso, os pecuaristas começaram a abater animais primeiro com 18, depois 17 e finalmente até com 15 ou 14 arrobas.Valia a pena. Mas toda esta matança ocasionou a redução do plantel nacional.
DescapitalizaçãoA falta de linhas de crédito para a pecuária, desde 1982, extintas pelo então ministro Delfim Neto, de um lado deixou o pecuarista saneado, conseguindo equilibrar suas contas, afirma Mesquita. Ao longo dos anos, no entanto, foi prejudicial para o setor. De acordo com Mesquita, quando houve demanda excessiva de carne no País todo mundo vendeu. Com o aperto do plano econômico, a partir de 1995, a cotação da arroba foi caindo e chegou aos US$20. Só que o custo operacional dobrou, o custo de impostos também; a consequência foi a descapitalização do pecuarista.
MatrizesNormalmente o pecuarista tinha como se programar. Matava o boi gordo, comprava garrotes para reposição, e sobrava dinheiro para outros investimentos. Quando não sobra, como ocorre hoje, se vê obrigado a abater matrizes. Prefere segurar o macho, que dá maior liquidez, mas vai acabando com a fonte que são as fêmeas. A consequência é redução do rebanho e plantel nacional pela matança de matrizes.
A matança de fêmeas vai acabar com o gás do pecuarista, a fonte do produtor. Se ele não tem mais matrizes, como vai comprar touros?, questiona Mesquita. A venda de reprodutores é também uma de suas fontes de renda.
Preços altosSegundo Mesquita, no final de 96 ele pagou por uma bezerra desmamada R$80,00 e, R$125,00/130,00 no bezerro da mesma idade. Na época havia alto consumo de carne de frango, reduzindo o consumo da carne de boi. Como consequência houve queda nos preços da arroba do boi.
Hoje se paga por um bezerro de R$200,00 a R$210,00 e R$140,00 a R$150,00 por uma bezerra desmamada, o que na opinião de Mesquita inviabiliza muitas vezes a reposição de animais no rebanho. Os preços praticados são decorrentes do grande abate de matrizes que até então sustentou a maior parte dos pecuaristas e a falta de animais para a reposição.
Outro agravante para a pecuária, segundo Mesquista, é que os pecuaristas estão sem dinheiro para fazer melhoria nos pastos, reforma de cochos, investir em reprodutores, entre outros manejos necessários para sustentar produção e produtividade. Nos leilões, por exemplo, segundo o pecuarista, os próprios vendedores acabam financiando a atividade, a partir do momento em que vendem animais em 12 prestações sem juros.(C.B.)





