O uso do baculovírus no combate à lagarta-da-soja é bom para o meio ambiente e não oferece riscos para a saúde do homem, mas além disso o método pode deixar um lucro equivalente a um automóvel Gol 1.000, numa área de 156 alqueires. Foi isso que conseguiram os irmãos Milton e Adalberto Munhoz, donos de propriedades em Campo Mourão, Mamborê e Luiziana, no Centro-Oeste do Paraná. Adeptos fervorosos do baculovírus há 10 anos, eles juram que a produtividade nunca caiu.
‘‘Dominamos a técnica e agora só estamos contando os lucros’’, comemora Milton. Ele destaca a qualidade ambiental do baculovírus, que controla a lagarta-da-soja sem afetar os inimigos naturais, a natureza e o homem, mas confessa que aderiu ao sistema por sempre acreditar que poderia obter uma grande economia. ‘‘É o único sistema que permite diminuir o custo da produção’’, ressalta. ‘‘Não há como economizar na semente ou no adubo’’, exemplifica.
Os lucrativos resultados das últimas safras, Milton traz anotados na ponta do lápis, ou melhor, na memória do computador. Na safra 94/95, ele computou um lucro de 820,43 sacas de soja ao trocar os agrotóxicos pelo baculovírus. O cálculo é simples: com mão-de-obra, trator, amassamento, custo do baculovírus e inseticidas, ele gastou um total de 226,98 sacas de soja. Somente com as três aplicações de veneno que teria que fazer no sistema tradicional, gastaria 1.047,41 sacas. ‘‘Economizei um Gol’’, comemora.
Dose menor Os números praticamente se repetiram na safra seguinte, quando a área aumentou para 162 alqueires. Com um detalhe: as doses de baculovírus foram bem menores. ‘‘É que os inimigos naturais ficam vivos e se encarregam de destruir a lagarta’’, explica o produtor. Além disso, eles mantinham estoques de lagartas congeladas, da safra anterior, para a produção do baculovírus. Milton e o irmão preferem produzir o próprio baculovírus em vez de comprá-lo em pó.
‘‘Mas quem compra pronto também tem lucro’’, afirma Milton. É que a permanência dos inimigos naturais vai diminuindo as doses nas safras seguintes. Para a safra atual, a meta dos Munhoz é eliminar de vez o uso de inseticidas químicos e coletar um grande número de lagartas. ‘‘Estamos com 300 alqueires de vírus guardados na geladeira’’, conta Milton. ‘‘Não estamos com plano de gastar nada com inseticidas’’, completa.
Com sucesso garantido ‘‘em casa’’, Milton acabou virando um incentivador do uso do baculovírus, e chega a dar palestras nas propriedades vizinhas. Para os que têm medo de experimentar o sistema, o agricultor aconselha que seja usado o baculovírus juntamente com aplicações menores de inseticidas químicos. Outra sugestão é que o produtor experimente a técnica em um alqueire da propriedade. ‘‘Mas esse alqueire tem que ser bem feito’’, alerta.
Dependência ‘‘O que estamos fazendo é apenas aproveitar os inimigos naturais que os agrotóxicos destróem’’, diz Milton. Ele acha que os venenos com faixa vermelha devem ser totalmente banidos das plantações. Faixa amarela, só em último caso. ‘‘Para quê usá-los, se existem mais de 100 inimigos naturais?’’, questiona. Outra pergunta de Milton que ajuda a convencer os vizinhos: ‘‘Até quando vamos ficar dependendo do veneno?’’.
Mas, como utilizar o inseticida natural? O próprio Milton explica: primeiro, o agricultor precisa fazer o manejo integrado de pragas, que consiste em utilizar um pano de batidas, de preferência branco, com um metro de comprimento por meio metro de largura. Depois, devem ser feitas avaliações constantes, anotando a quantidade de lagartas por batida. Faz-se a média e, se antes da floração, essa média atingir 20 lagartas grandes e cinco pequenas, é hora da aplicação.
O baculovírus deve se aplicado sempre pela manhã (até às 10 horas, no máximo) e depois das 16 horas. A experiência de Milton ‘‘diz’’ que chuvas após as aplicações não acarretam problemas. Para quem tem muita lagarta, o conselho é fazer um acompanhamento mais criterioso e utilizar até 25% da dose normal de inseticida químico e dose cheia de baculovírus. ‘‘O importante é nunca passar dos 25% do veneno’’, ressalta. A única desvantagem do sistema, garante Milton, é que ele dá mais trabalho. ‘‘O produtor tem que andar na lavoura e não pode ter preguiça.’’

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