Bom momento para a Expoingá 2002
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de maio de 2002
Lucinéia Parra <br>Equipe da Folha 
Maringá - O bom momento da pecuária, com a valorização da carne brasileira no mercado internacional, deve refletir nos negócios da 30ª Expoingá, que teve início na última quinta-feira à noite, no Parque Internacional de Exposições Francisco Feio Ribeiro. Pela primeira vez, os organizadores tiveram dificuldades para acomodar todos os animais por falta de argolas. Até o último momento, pecuaristas estavam a procura de espaços para incluir seus animais na Expoingá. A expectativa, de acordo com os organizadores é de que o volume de negócios durante os 11 dias da feira, seja 50% maior do que o ano passado, só no setor da pecuária.
Apesar da pecuária nos municípios de Maringá e região ter pouca representatividade no Estado - apenas 4% com um rebanho de 417 mil cabeças de gado de um total de 10 milhões de cabeças em todo Paraná - a Expoingá, na opinião de produtores e técnicos agrícolas, vem se consolidando como pólo para comercialização de gado em geral.
Resgatando posição
Três fatores foram importantes para o crescimento do setor pecuário dentro da feira: a parceria com o Banco do Brasil que fornece financiamentos a juros acessíveis aos participantes; novos projetos de valorização do produtor durante a feira, e realização de palestras técnicas com abordagem de temas de interesse dos produtores.
Nosso objetivo é resgatar o lugar que ocupávamos antigamente, quando a feira de Maringá era a que mais comercializava animais, diz o presidente da Sociedade Rural de Maringá, Neri Fabre. Segundo ele, a expectativa de comercialização durante a Expoingá é ultrapassar os R$ 2 milhões arrecadados ano passado. Devemos comercializar R$ 3 milhões este ano, estima Fabre. Os negócios em todos os segmentos da Expoingá, conforme Elói Michels, coordenador da feira, devem chegar a R$ 90 milhões, com expectativa de público de 600 mil pessoas nos 11 dias do evento.
Demonstrações didáticas
Além da exposição de 7.500 animais, entre bovinos, equinos, caprinos e ovinos, outra atração da Expoingá é a fazendinha Modelo Rural com unidades didáticas sobre piscicultura, agricultura, bicho-da-seda e outras atividades agrícolas.
O objetivo da fazendinha, conforme o coordenador do projeto, engenheiro agrônomo José Antonio Rosa Filho, é demonstrar e difundir tecnologias que possam otimizar os custos de produção e aumentar a produtividade, contribuindo desta forma, para maior rentabilidade dos produtores. No Modelo Rural também é demonstrado as alternativas que o produtor tem para continuar produzindo sem destruir a natureza.
A preocupação com o Meio Ambiente também foi tema da primeira palestra da Expoingá, ontem. O deputado Moacir Miqueletto e o presidente da OAB- Subseção Maringá, Dirceu Galdino, falaram sobre o respeito que o agricultor deve ter com o Meio Ambiente e sobre a legislação brasileira que regulamenta a matéria. As palestras reiniciam nesta terça-feira, às 14 horas, quando será abordado a questão da madeira no arenito caiuá. Na quarta-feira, também às 14 horas, haverá palestra sobre mercado nacional e internacional de carne. O palestrante do dia será o consultor da Faep, Milton Dallari. Também no dia 15, às 16 horas, haverá palestra sobre rastreabilidade bovina. A aposentadoria do produtor rural é o tema da palestra de quinta-feira. Na sexta-feira, dia 17, haverá o encontro dos associados de todas as sociedades rurais do Paraná a partir das 9 horas e às 14 horas, será realizada a última palestra da Expoingá, com a presença do presidente da Sociedade Rural Brasileira, João Almeida. Ele vai falar sobre mercado internacional. Todas as palestras serão ministradas no anfiteatro da Sociedade Rural de Maringá.
Feiras são estímulos
Para o pecuarista Wilson Pulzatto, a região de Maringá conta com importantes centrais de transferências de embriões, contribuindo para o fortalecimento da atividade em outras regiões. Ele acredita que a Expoingá já está se consolidando como um evento com excelentes opções não só para venda mas para compra de animais. Temos na Expoingá, animais das mais diversas raças e com padrão genético de altíssima qualidade, explica. Ele diz que a participação em feiras agropecuárias é importante para os produtores porque elas representam a oportunidade de divulgação dos seus rebanhos. Ele acredita que até mesmo o pequeno produtor deve se esforçar para participar de eventos como a Expoingá, como a Exposição de Londrina e de outros grandes centros agropecuários. Além de expor seus animais, o pecuarista tem acesso às palestras técnicas que sempre auxiliam, principalmente para quem está começando na atividade, diz. Segundo ele, os leilões realizados nas feiras servem como estímulos aos pecuaristas.


