Nem só das cooperativas vivem os produtores para comercializar seus produtos. A Bolsa de Mercadorias pode ser uma opção, que também garante segurança ao negócio. Dois tipos de Bolsa operam em todo o País. A Bolsa de Mercadorias e Futuro (BMF), onde apenas são negociados papéis no mercado futuro. Não há liquidez em produto. Neste caso, o investidor aposta no valor do produto, que, se utilizado pelo produtor, vai garantir o preço da mercadoria. Já a Bolsa de Mercadorias é mercado físico, onde acontece a entrega do produto.
  Usada há mais de 20 anos pelo Governo Federal, para comercializar os produtos agrícolas, a Bolsa de Mercadorias é uma ferramenta importante para a negociação em todo o país. Sem fins lucrativos, ela trabalha com corretoras, que são as grandes geradoras dos negócios. Mas é a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), órgão do Governo Federal, a responsável pela oferta de compra e venda dos produtos. ‘‘A Bolsa funciona apenas como um agente de comercialização. Não vende, nem compra, apenas oferece o produto’’, afirma o presidente da Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML) e presidente da Associção Nacional das Bolsas de Mercadorias e Cereais, Luiz Roberto Ferrari.
  A Bolsa de Cereais e Mercadorias de Londrina (BCML), atua desde 94, trabalhando com 15 corretoras credenciadas. Em todo o Brasil, as duas Bolsas operam com um total de 26 corretoras credenciadas. ‘‘É uma oportunidade maior que o produtor tem de apresentar e negociar seu produto’’.
  Entre os principais clientes da Bolsa estão cooperativas, indústrias, pequenos e grandes produtores, além de empresas de comercialização de produtos. Os produtores, na maioria das vezes, são representados pelas cooperativas, que armazenam e comercializam a produção. ‘‘A realidade no Brasil é dura. O produtor não tem condições de armazenar seu produto e a maioria planta com insumos das cooperativas, que ficam com uma parte da produção como forma de pagamento. Por isso, elas mesmas acabam negociando o produto nas Bolsas’’, analisa Ferrari.
  A negociação acontece em forma de leilões eletrônicos e os valores estipulados vão depender do estoque regulador em todo o país, controlado pelo Governo Federal. É por intermédio da Conab que o Governo Federal, no momento de excesso de produção, compra o produto e, no momento da entressafra (escassez do produto), vende, para regular o mercado.
  A Conab prepara o edital de venda com todos os produtos que ela pretende vender do estoque regulador e divulga para as Bolsas. Esse edital contempla o valor da mercadoria, o prazo para pagamento e o recebimento do produto. O gerenciamento é feito por meio dos chamados pregões (leilões) eletrônicos. 100% da comercialização da Bolsa é eletrônica. ‘‘Todas as Bolsas do Brasil estão interligadas à Conab, que, por sua vez, estão ligadas diretamente às políticas governamentais. Quando não tem produto, o preço sobe. Quando há excesso, o governo mantém um preço mínimo, garantindo o preço para o produtor’’.

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