Bois na entressafra
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sexta-feira, 16 de julho de 2004
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
O pecuarista José Antônio Fontes continua investindo em sistemas alternativos de criação para garantir alta produção de carne no inverno. Ele mostra a sequência de um projeto e diz que ''é o corrento''. No ano passado, a integração agricultura e pecuária proporcionou à fazenda a produção de feno, o pastoreio em aveia e disponibilizou silagem para que o animal fosse abatido em até 22 meses.
''Este ano inovamos com o sistema de rotação de pastagens. Os animais são divididos em grupos e cada piquete recebe uma suplementação diferente, adequada ao propósito do gado: abate ou procriação'', explicou Fontes.
Segundo o pecuarista, o pastoreio rotacional dobra a capacidade da fazenda, que hoje abriga, em 270 alqueires, 1,8 mil animais das raças nelore e meio-sangue angus. ''A meta é aumentar a capacidade da fazenda para 2,5 mil animais'', completou.
Um bezerro cujo processo de engorda custava R$ 98 no sistema antigo, hoje custa R$ 240. Fontes afirma que mesmo com o aumento nos custos, a rotatividade compensa.
''Direcionando a alimentação, engordamos os animais em menos tempo e vendemos na entressafra, por um preço melhor'', argumentou o pecuarista. ''O resultado são animais com melhor rendimento de carcaça e carne de melhor qualidade'', concluiu.
Para substituir o brizantão, pouco resistente à geada, Fontes investiu nas pastagens estrela roxa, mombassa e tanzânia. Com o sistema rotacionado, a expectativa do pecuarista é abater mil animais por ano, entre machos e fêmeas.
Na manhã da última segunda-feira, o pecuarista recebeu um grupo de estudantes do segundo ano do curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina. Eles foram guiados pelo professor da disciplina de forragicultura e puderam ver o resultado do uso de diferentes pastagens de perto. ''Estas visitas reforçam o compromisso empresa-escola'', declarou Fontes.
Troca de função Se no ano passado o objetivo da aveia era exclusivamente a engorda dos animais, este ano, a função é de manutenção e reprodução. ''Destinamos 50 alqueires à produção da aveia, que complementa a alimentação das reprodutoras'', disse Fontes, que colheu, no mesmo espaço, 152 sacas de soja/alqueire este ano. ''A integração entre lavoura e pecuária dobra os resultados da fazenda'', lembrou.
Mas o pecuarista ressalta que este sistema só é válido quando mostra resultados concretos. ''A vaca deve ser o grande negócio da fazenda. Se conseguirmos criar 3 animais/ha, empatamos com a agricultura. Se subirmos para 4 animais/ha, a pecuária já é a melhor opção'', comparou.
Além da Fazenda São Manuel do Triunfo, com 325 alqueires, Fontes possui mais uma propriedade, a Fazenda Triunfo, onde cria 700 animais de reprodução. Lá são feitos cruzamentos industriais e a meta é aumentar o número de touros angus para 70%, contra 30% de nelores. ''Com os meio-sangue angus é possível aliar precocidade e qualidade da carcaça'', analisou o pecuarista.
Fontes cria os animais na Triunfo e os engorda na São Manuel do Triunfo. Aqueles que não são aprovados geneticamente são levados à engorda e abatidos. A produção de carne é destinada a todo o Paraná, enquanto os embriões para melhoramento genético produzidos na Triunfo são vendidos no Brasil inteiro.
Até setembro, ele deve definir sua participação no projeto elaborado pela cooperativa Corol, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), que pretende construir um frigorífico e exportar a produção. ''Por enquanto o projeto está em fase de negociação e os pecuaristas estão assinando os primeiros contratos de fornecimento de carne'', afirmou.
Vendas garantidas Para Fontes, o pecuarista deve se organizar para vender também na entressafra. Planejando o ciclo de engorda, o criador terá um volume maior de animais para comercializar entre agosto e novembro e sentirá o resultado econômico.
''Não devemos vender bois somente na safra, temos que vender também no
inverno. Eu espero que os pecuaristas paranaenses se conscientizem disso,
principalmente em uma região privilegiada como a nossa. Aqui temos uma zona de transição climática que tem solo, umidade, luz e competência na agricultura'', ressaltou.
E para garantir a qualidade da carne produzida na São Manuel do Triunfo, Fontes irá investir na rastreabilidade, com o respaldo da secretaria de Agricultura. ''A meta é rastrear os animais pelo computador. Os puros serão identificados com brincos eletrônicos e marcas a ferro quente, enquanto os comerciais terão brincos normais e eletrônicos'', finalizou.


