“Bóias-frias em Bela Vista”: com o pé na estrada
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sábado, 11 de maio de 2019
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Homens, mulheres, moças, rapazes, velhos e crianças. Dezenas deles têm montado nos caminhões que, diariamente, saem do distrito de Santa Margarida, em Bela Vista do Paraíso, e seguem para Minas Gerais à procura de trabalho nas lavouras de café. Somente esta semana, cerca de 20 caminhões tomaram o mesmo destino.
“Santa Margarida está acabando” - comenta um “bóia-fria”. Daqui só vai sobrar o nome de santa, porque tem muito macaco pra pouca banana.”
Para Florindo Palu, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais daquela cidade, esta é uma cena que se repete há vários anos, com a diferença de que neste, o movimento dos trabalhadores dispostos para seguir para Minas é menor. “O pouco que tem de café aqui no município não será o suficiente para absorver mais mão-de-obra”. Ele calcula em cerca de mil pessoas o número de “bóias-frias” que se deslocou de Santa Margarida no ano passado para regiões mineiras produtoras de café. Este ano, diz que não sairão mais de 40 por cento em relação ao ano passado. “Até agora cerca de 200 já foram. Mas geralmente 90 por cento retornam logo após a colheita”.
“Aqui o pessoal está indo tudo para Minas” - afirma o “gato” João Alves Miranda, que se prepara também para levar um caminhão cheio de gente. “A situação aqui está precária. São caminhões daqui e de lá que vêm buscando e trazendo gente. Quase todo dia sai um. Por enquanto só estão indo para Minas porque lá pagam bem, entre Cr$ 35 e Cr$ 40 a saca de café”.


