Boi verde, a pecuária com rentabilidade
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sexta-feira, 29 de junho de 2001
Paulo Ferolla 
Estudiosos divulgam que o pecuarista gasta pelo menos US$ 20 para produzir uma arroba de boi gordo. Vamos às contas: com o dólar valendo quase duas vezes e meia o nosso real, o criador gastaria - pelas contas dos especialistas - perto de R$ 50,00 para preparar cada arroba para o abate. Esta análise leva em conta aquele empresário do campo, que dá todas as vacinas necessárias, alimenta o gado com produtos balanceados e tem uma equipe para cuidar do bem-estar do rebanho. Nada de mais, não é verdade! Pode-se dizer, até, que é exatamente esse o conceito que se tem do criador profissional, responsável pelo aumento da eficiência e da produtividade da pecuária brasileira nos últimos anos.
A realidade do campo, no entanto, ainda está longe dessa perfeição. Até porque é impraticável fazer pecuária com custos nestes níveis. Mas os especialistas dizem que esse é o custo!, alguns podem argumentar. A próxima pergunta é óbvia: Estariam eles divulgando contas irreais?
Sob a ótica das planilhas do computador, que recebem os dados da fazenda e fazem as projeções, o custo normal para se preparar uma arroba de boi gordo para o abate é mais ou menos esse mesmo: US$ 20. Pode-se concluir, então, que apenas se consegue produzir por menos com queda da produtividade? Em termos simplistas, a resposta seria: depende da infra-estrutura de criação.
Trocando em miúdos. Um número cada vez maior de pecuaristas está conseguindo preparar os bovinos para abate entre 21 e 30 meses de idade, sem qualquer prejuízo em termos de qualidade e percentual de carne e gordura na carcaça. Para tanto, não gastam mais do que US$ 15. Isso mesmo, com pouco mais de R$ 35,00/arroba, estamos liberando para o abate animais prontos, com boa conformação. O segredo? Criação totalmente a pasto, com fornecimento de minerais de boa qualidade e sal proteinado nas épocas de pastagem ruim. E tomando todo o cuidado sanitário e de manejo necessário.
Este é o boi verde legítimo. Este é o produto que os concorrentes do Brasil no mercado internacional temem. Não é à toa que o nosso custo é expressivamente menor do que os principais competidores: Estados Unidos e Austrália. Aqui temos extensas áreas territoriais para criar, preservando o meio ambiente e mantendo os animais com capim, longe do risco dos resíduos de produtos de origem animal, causadores da famigerada doença da vaca louca.
Recentemente, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu divulgou levantamento sobre o custo de produção do bovino de corte no Brasil, EUA e Austrália, considerando a criação a pasto, própria do boi de capim ou boi verde. Resultado: aqui se gasta US$ 0,99 por quilo de carne bovina, ou pelo menos a metade do necessário nos demais países. Estão aí os US$ 15/arroba que mencionamos anteriormente.
Há três anos, o Sindicato Rural de Uberlândia iniciou um projeto para divulgação dos conceitos da criação do boi, naturalmente. Esse trabalho tem seu ponto máximo nas edições do Encontro Nacional do Boi Verde, que em 2001 chega à terceira edição. Criadores e técnicos que investem no boi criado a pasto e acreditam nessa filosofia de trabalho reúnem-se para compartilhar suas experiências com especialistas e pecuaristas de todas as partes do País. O 3º Encontro Nacional do Boi Verde será realizado nos dias 23 a 25 de agosto, no Centro de Convenções do Plaza Shopping Hotel, em Uberlândia (MG). Neste ano, o evento apresentará várias novidades. Entre os temas: incorporação do manejo ambiental à criação de bovinos a pasto; carne bovina, alimento seguro; rastreabilidade; marketing; gestão na propriedade e cases de sucesso.
O autor é diretor do Sindicato Rural de Uberlândia e um dos coordenadores do 3º Encontro Nacional do Boi Verde.


