Boi pronto a base de capim e sal
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sexta-feira, 29 de setembro de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Na procura por novos modelos de produção de carne, que tornem a atividade cada vez mais rentável pecuaristas de todo o País estão aderindo à técnica de produção, entre elas a do boi verde. Este sistema de produção baseia-se na criação de boi a pasto, com suplementação mineral, e pode proporcionar maior receita para o pecuarista ao enviar os animais para abate antes do tempo gasto pelos métodos tradicionais.
A afirmação é do veterinário Geoges Fillis, da Tortuga Companhia Zootécnica Agrária, empresa que desenvolve o Projeto Boi Verde, trabalho de 10 anos de pesquisa, que preconiza, além do gado criado totalmente a pasto, a adoção de cinco minerais na dieta do rebanho, do nascimento ao abate. Não são minerais comuns, avisa Fillis, mas minerais formulados com complexos orgânicos.
Conversão alimentar Os minerais fazem com que os bovinos assimilem com muito mais eficiência os nutrientes dos capins. Isso acontece porque há um considerável aumento da flora microbiana do rúmen que é responsável pela transformação do capim em carne, possibilitando a cria, recria e engorda à pasto, explica o veterinário José Luiz Porto, da mesma empresa.
Os fatores mais importantes para alavancar a criação a pasto, segundo os veterinários, somam boa alimentação dos bovinos enriquecida por suplementos minerais, qualidade genética e sanidade do rebanho.O produtor ganha em tempo, já que a preparação do boi para abate que demorava pelo menos três anos (criação extensiva) não passa de 24 meses, e consequentemente em receita; e o consumidor ganha em qualidade final da carne porque os minerais não causam problemas, garante Georges Fillis.
Alternativas de produção Segundo os veterinários, o pecuarista tem atualmente três alternativas para produzir. Duas são mais tradicionais: a criação extensiva ou o confinamento. A terceira alternativa seria o boi verde. Na bovinocultura extensiva, de acordo com Fillis, onde o pecuarista deixa o boi no pasto somente a mercê do capim, corre-se o risco dos animais demorarem mais para atingir peso de abate, especialmente em anos em que as pastagens ficam castigadas pelo clima.
Já o confinamento demanda investimentos com ração e podem aumentar os custos de produção, além de maior trabalho de manejo. A terceira opção, o boi verde, é mais competitiva em custos, além do marketing da carne. Trata-se da produção natural ou ecológica, aproveitando as condições da propriedade. Não são necessários pesados investimentos em instalações, mão-de-obra ou outros setores, que oneram o projeto pecuário, garante Fillis.
Capricho no manejo Segundo o veterinário José Porto, com a adoção do projeto boi verde pode-se antecipar a idade de abate dos animais em um ano em relação ao manejo convencional extensivo. Mas ele avisa que não é só colocar o boi no pasto e sal mineral no cocho. Alguns cuidados são necessários como cuidar a fertilidade do solo e do capim.
Quem não tem condições de recuperar rapidamente as pastagens pode procurar alternativas como a cana, a ser fornecida em períodos quando o pasto não tem boa produção de massa verde.
É indicado também, segundo Porto, complementar a alimentação dos animais com sal mineral de qualidade especialmente no período da seca. Com esses poucos cuidados, os animais têm condições de enfrentar melhor o período de estiagem e até manter a capacidade de engorda.
Quanto custaOs pecuaristas, segundo Porto e Fillis, têm muito a ganhar investindo na criação do boi verde. A mineralização custa R$36 por animal, do nascimento ao abate. Se o animal morrer um ano depois, no manejo convencional, o custo, segundo dados da Embrapa Gado de Corte, ficam entre R$5 a R$6 por mês. O que daria mais ou menos R$60.
Com o uso do sal mineral no manejo os técnicos garantem que os animais comem mais (de 18% a 25% a mais do pasto), desenvolvem-se mais rapidamente, engordam mais e, portanto, chegam ao peso de abate mais cedo.
O fornecimento do sal mineral aos bezerros, já a partir dos 30 dias de idade, explica José Porto, faz com que o animal se desenvolva melhor. Há a liberação da vaca, que poderá ter seu intervalo entre partos reduzido para 13 a 14 meses. É todo um ciclo que encurta, afirma Porto.
O objetivo, afirma Fillis, é conseguir que as fêmeas tenham um bezerro por ano. O resultado, garante, é de menores custos de produção, animal pronto para o abate mais cedo e mercado comprador cada dia mais promissor.


