Boi gordo mantém preço mesmo no perído da safra
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de abril de 2003
Alexandre Horner<br>Agência PRpress 
Principal produto da 43.º Exposição de Londrina, a pecuária de corte entra na segunda metade da safra deste ano (abril-maio-junho) impulsionada por previsões de preços mais promissores, principalmente no segundo semestre. Mesmo com as compras ocorrendo ''no pingado'', a cotação do boi gordo segue estável em plena safra, apesar da dificuldade em colocar a carne no mercado interno.
Mesmo com a chegada do pico da ''safra do boi'', e a natural tendência de baixa nos preços nesta época, os criadores administram a oferta num esforço para firmar os preços. A pressão de compra por parte dos exportadores e as vendas mais firmes no atacado colaboram com esta possibilidade. Se esta situação persistir, o mercado poderá voltar a ficar firme com a cotação da arroba do boi gordo chegando ao final desta safra R$ 56,00 e R$ 57,00, segundo analistas do setor.
Em mercados paulistas, como Barretos e Araçatuba, a cotação já se encontra em R$ 57,00. O mesmo não ocorre em outras regiões do País, com os preços variando entre R$ 54,00 e R$ 55,00, caso de Minas Gerais e Mato Grosso. No Paraná, a arroba já está em torno dos R$ 55,00.
O otimismo dos analistas vem de uma série de fatores, um deles tem a ver com a exportação. ''Em se tratando de época de safra, a expectativa era de que o preço caísse ainda mais. Só não caiu porque as exportações continuam em alta'', diz José Vicente Ferraz, diretor técnico da FNP Consultoria Agroinformativos.
A venda mais controlada acaba resultando num fenômeno chamado de ''escassez de oferta''. Nas regiões de fronteira agrícola, como o Centro-Oeste, os produtores levaram mais tempo para preparar seus animais, por causa do prolongamento da estação seca. Isso atrasou a recuperação das pastagens e, consequentemente, esticou o tempo para o ganho de peso dos animais. Para Ferraz, o resultado é que criou-se uma expectativa de aumento nos preços, mais um motivo para que o produtor segure o boi no pasto.
Queda de braço - A queda de braço está instalada, no curto prazo. Se os preços caírem os frigoríficos não conseguem comprar, pois o vendedor se retrai. Por outro lado os preços não sobem porque não há expectativa alguma de melhora no consumo, nem mesmo com a correção do salário mínimo, que em valores reais não chega a representar um aumento de R$ 5,00. O quadro então aponta muito mais para a estabilidade. No atacado, apesar da expectativa frustrada de que os preços das peças fossem ficar nos mesmo patamares, houve alta, não estando totalmente descartadas novas oscilações.
Uma variável importante, o consumo interno, passa pela renda das pessoas que é muito baixa. O PIB brasileiro, atingiu R$ 1,32 trilhão em 2002, ou seja, um crescimento real de 1,52% em relação ao ano anterior. No entanto, a renda per capita, em dólares passou de US$ 2.962 para US$ 2.590, representando um recuo de 12%. A agropecuária se expandiu em 5,79%, somando ao PIB nacional um montante de R$ 96,791 bilhões, enquanto que os demais setores apresentaram crescimentos mais modestos (indústria de 1,52% e serviços de 1,49%).


