O presidente da Sociedade Rural de Umuarama, Sidney Lujan, diz que a maior preocupação dos pecuaristas, hoje, é o sistema de pagamento a prazo, e propõe que seja adotado o pagamento à vista, pelos frigoríficos. O prazo é um motivo permanente de apreensão dos produtores, devido aos riscos (atrasos, insolvências de empresas) oferecidos por muitas indústrias.
Em Loanda, região de Paranavaí, o pecuarista Olímpio Fernandes diz que a maior preocupação é o preço, que não cobre o custo de produção, e que isto pode levar o Paraná a substituir a pecuária de corte por atividade rentável. Na opinião do presidente da Sociedade Rural de Umuarama, os preços em si são mais preocupantes em relação ao gado confinado, ‘‘que requer trato especial e por isso tem custo elevado’’. Ele lembra que no ano passado os confinadores trabalharam ‘‘no vermelho’’. Tinham previsto que receberiam de R$27,00 a R$28,00 a arroba, mas Lujan mesmo acabou recebendo R$23,00-R$24,00.
DescapitalizaçãoTem sido apontada uma forte descapitalização dos pecuaristas de corte. O presidente da Sociedade Rural de Umuarama diz que o motivo ‘‘é a falta de incentivo por parte do governo’’. Para manter a propriedade, o pecuarista é obrigado a vender animais para o abate, situação difícil porque ‘‘não consegue fazer a reposição correta’’.
Lujan aponta outro inconveniente: o abate de matrizes que farão falta em breve para recuperação do novo rebanho. Além dos apertos financeiros de muitos pecuaristas, as pastagens estão enfraquecidas, suportando a cada ano menor lotação. A solução poderia começar, eliminando-se o sistema de pagamento a prazo. Como faz o varejo, que em geral vende à vista. Mas, o retorno não chega aos produtores. ‘‘A corrente está quebrando, porque o mercado não repassa aos frigoríficos e estes não repassam para nós’’, comenta Lujan.
O rebanho de corte da região de Umuarama tem 1,5 milhão de cabeças, e vem sendo melhorado pelo uso de tecnologia. Por isto, Lujan não acredita que a pecuária de corte do Paraná venha a desaparecer: ‘‘Não acredito que acabe, porque novas tecnologias, como a produção de novilho precoce, estão sendo usadas; elas diminuem o tempo de abate. A Sociedade Rural vem divulgando tecnologias desse tipo, e tem um programa de melhoramento da pecuária na sua região.
ReposiçãoOlímpio Fernandes, de Loanda, costuma comprar novilho de 10 arrobas, e vender no mesmo ano, quando o animal está pesando cerca de 16 arrobas, adquiridas no pasto de colonião suplementado a sal no cocho. Ele trabalhava mais com nelore, mas vem partindo para o animal cruzado, que embora dê mais trabalho, custa menos na hora da resposição: enquanto um bezerro nelore custa de R$180,00 a R$200,00, um cruzado sai por R$120-R$130,00.
A proporção na troca dá, nas condições em que ele trabalha, dois animais magros por um gordo. ‘‘O ideal para sobrar alguma coisa, seria um pouco mais’’, comenta. Fernandes não tem no momento uma preferência pelas cruzas. A base dos cruzamentos que originaram o gado magro é quase sempre o nelore, mas o outro sangue vem de charolês, simental, holandês, enfim de várias raças.
O cruzado - comenta o pecuarista - tem vantagens e desvantagens. ‘‘O pecuarista tem que estar em cima, porque os animais pegam mais berne, carrapato, bicheira. O cruzado é um animal mais trabalhoso, mas dá retorno um pouco maior, por causa do custo R$120-130, característico de nossa região’’, explica.
Como não vai atrás de feiras de bezerros (‘‘Normalmente essas feiras inflacionam o preço; o pessoal tem seus truquinhos...’’), para reposição, Fernandes repõe em fevereiro-março, mas já compra boi, ‘‘porque o bezerro
demora um pouco mais’’ para chegar ao peso de abate. Por isso ele adquire, já com 10 arrobas, o animal para engorda, e vende no mesmo ano, quando o boi está com 16 arrobas.
Extinção‘‘Nossa atividade está em extinção porque, além do custo da arroba em torno de R$27,00-27,50, estamos vendendo a R$25,00’’, diz Olímpio Fernandes. Ele resalva: ‘‘Nem se pode vender agora; quem pode, espera uma reação do preço’’. No entanto, os frigoríficos e intermediários estão comprando, porque tem muita gente precisando fazer caixa, ou porque falta pasto.
‘‘Pouca gente está fazendo essas contas de custo e, quem não faz, vai empobrecendo mais’’. Fernandes comenta que a maioria tem poucos animais - ‘‘se vender pelo preço oferecido hoje, fica sem nada’’. No seu entender, apenas quem tem muito gado pode vender para ganhar R$2,00, porque ganha no volume.
Considerando essa situação, ele prevê o fim da pecuária de corte no Paraná. Compara: a pecuária está dando um retorno de R$100,00 por alqueire ao ano, enquanto a mandioca dá R$1.000,00 ou mais. A solução, acredita o pecuarista, seria substituir o pasto por culturas que, no caso do arenito do Noroeste, que não suporta muita movimentação, deveriam ser plantações perenes. ‘‘Isto tende a acontecer, a menos que ocorra uma mudança no mercado’’, prevê.

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