Carne 10% mais cara neste final de ano

A carne bovina neste mês de dezembro está, em média, 10% mais cara em comparação ao mesmo período do ano passado. A valorização do produto ocorre de forma semelhante em todos os níveis de comercialização, ou seja, no varejo, no atacado e ao produtor.
A tabela apresenta a evolução de preços da carne bovina aos níveis de produtor, atacado e varejo para os meses de dezembro dos últimos cinco anos. Os valores estão expressos em R$/@ para o produtor e em R$/kg para os produtos relacionados do atacado e varejo.

Produtor
O preço médio do boi gordo ao produtor paranaense neste mês de dezembro ficou em R$ 44 por arroba, 8,9 % a mais em comparação a dezembro do ano anterior. Em 2001, os maiores preços do boi gordo estiveram relacionados ao aumento das exportações brasileiras de carne bovina, favorecida pela taxa de câmbio (R$/US$) com alta de aproximadamente 20% entre dezembro/00 e dezembro/01. Ao longo do ano, mas sobretudo no segundo semestre de 2001, a alta do dólar frente ao real possibilitou aos frigoríficos exportadores oferecer maiores preços pela matéria-prima, pressionando para cima as cotações de mercado ao longo de toda a cadeia produtiva.

Atacado

No atacado, o aumento nominal de preços nos últimos 12 meses foi de 13,1 % para a carcaça traseira (que detém os cortes mais procurados pelos exportadores) e de 8,7 % para a carcaça dianteira (mais consumida no mercado interno). Em 2001, muitos frigoríficos exportadores praticaram maiores margens de comercialização nas vendas de carne ao exterior e menores margens no mercado interno. A diferença de preços das carcaças dianteira e traseira só não foi maior pela pequena expressão das exportações brasileiras (menos de 15% da produção) frente ao enorme volume de carne bovina comercializada no mercado interno.

Varejo

Em nível de varejo, o aumento de preço da carne bovina ao consumidor nos últimos 12 meses também ficou próximo dos 10%. O filé mignon, por exemplo, subiu 9,7%, passando de R$ 12,63 por quilo em dezembro de 2000 para R$ 13,85 por quilo em dezembro de 2001. Já a carne de costela, com preço atual de R$ 3,50/quilo, acumula aumento de 9% nos últimos 12 meses.


TABELA - PREÇOS DA CARNE BOVINA EM DIFERENTES NÍVEIS DE COMERCIALIZAÇÃO DURANTE O MÊS DE DEZEMBRO, 1997 A 2001.
PRODUTOR ATACADO VAREJO
BOI GORDO DIANTEIRO TRASEIRO COSTELA MIGNON
Mês/ano R$/@ R$/Kg R$/Kg R$/Kg R$/Kg
dez-97 26,0 1,33 2,25 1,90 7,61
dez-98 28,0 1,44 2,37 1,99 8,53
dez-99 38,4 1,99 2,99 2,88 12,06
dez-00 40,4 2,07 3,05 3,21 12,63
dez-01 44,0 2,25 3,45 3,50 13,85
VARIAÇÃO % 00/01 8,9 % 8,7 % 13,1 % 9,0 % 9,7 %
FONTE: SEAB/DERAL (1997-00) e AGROMARKET (01).

José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]


ARROZ

Produção e estoques mundiais menores na safra 01/02

A produção mundial de arroz beneficiado atingiu volume recorde de 408,4 milhões de toneladas na safra 99/00. Sobraram em estoque 143,06 milhões de toneladas naquele ano safra. O resultado foi a redução dos preços em todo o mundo, desestimulando a produção no ano safra seguinte, que produziu pouco menos de 397 milhões de toneladas. Com isso, estoque final reduziu para 137,3 milhões de toneladas (estimativa, porque os números da safra 00/01 não são finais).
Para a safra 01/02, a projeção do USDA (deste mês de dezembro) para a produção é de 392,8 milhões de toneladas, com redução de apenas 1% em relação à safra anterior. No entanto, o consumo de arroz vem crescendo continuamente nos últimos 20 anos, a taxas reduzidas (média de 1,8% ao ano), mas sempre crescente. Para a safra 01/02 a projeção do consumo é de 404,4 milhões de toneladas. Como a produção reduz e o consumo cresce, os estoques finais devem reduzir. A projeção atual é de que o estoque final seja de 125,75 milhões de toneladas, 8,4% a menos do que na safra 00/01. As projeções de produção e estoques para a nova safra são os menores desde a safra 97/98. Este cenário deve permitir preços mais altos para o arroz no mercado mundial no próximo ano, uma boa notícia para os produtores brasileiros.

Brasil

A estimativa de dezembro da CONAB para a safra brasileira 01/02 é de aumento de 3,7% na área plantada. No entanto, o maior aumento vem da região Norte/Nordeste, especialmente nos estados do Pará, Tocantins e Piauí. No Maranhão, maior produtor da região, a área deve crescer apenas 1%, atingindo 463,7 mil hectares.
Na região Centro-Sul, a área cresce apenas 2,5%, atingindo pouco mais de 2 milhões de hectares. No Sudeste, a área reduz 1,6% e cresce 3,4% puxada pelo aumento de 6% na área plantada no Mato Grosso, maior produtor da região que deve plantar 486,8 milhões de toneladas. Nesta região, a cultura do arroz tem sido impulsionada por novas variedades de arroz agulhinha de sequeiro. Na região Sul apenas o Paraná deve plantar uma área menor de arroz. Em Santa Catarina, a área cresce 3,5% e 3% no Rio Grande do Sul (que deve plantar 968,5 mil hectares).

Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]


R A Ç Õ E S

Consumo deverá crescer 7% em 2002

Organizacionalmente dentro do agronegócio, as indústrias produtoras de rações podem ser consideradas como a categoria responsável por gerar e transmitir energia no estágio inicial do sistema produtivo, ou seja, localizam-se ''antes da porteira'' da propriedade rural e suprem todos os demais segmentos à sua frente com este importante insumo.
As primeiras empresas produtoras de ração iniciaram suas atividades no Brasil na década de 40, nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, utilizando-se de resíduos das indústrias moageiras de trigo (farelo) que, quando combinados com compostos protéicos e vitamínicos, eram utilizados para a alimentação de gado leiteiro.
Até a década de 60, este segmento apresentou pouca expansão, pois a avicultura e a suinocultura eram tratadas com um manejo muito rudimentar e sem a devida preocupação com a utilização de técnicas mais eficientes de produção. Em meados da década de 60, com o grande advento da avicultura de corte, começaram então a surgir no Brasil as primeiras empresas multinacionais produtoras de ração.
Na década de 70 (milagre econômico), devido à grande quantidade de crédito disponível para o desenvolvimento da agricultura e pecuária, as indústrias de ração se multiplicaram atingindo o montante de 651 fábricas. A produção de ração acumulou um incremento de quase 100% neste período (de 5,7 milhões de toneladas para 11,2 milhões de toneladas).
Nos anos 80 (década perdida), o setor produtor de ração sofreu uma abrupta desaceleração causada pela queda da atividade econômica do Brasil. A produção por consequência foi bastante irregular neste período. Se por um lado foi ruim, por outro teve início a progressiva verticalização da avicultura e suinocultura, bem como a integração dos produtores a agroindustrialização (cadeia produtiva).
Na década de 90, com a estabilização econômica causada pelo Plano Real, o setor produtor de ração continuou em expansão crescendo anualmente a taxas bastante significativas. Em 1990, a produção nacional de ração era de 14,8 milhões de toneladas e em 1999 atingiu o valor de 32,5 milhões de toneladas, com um incremento de 119,6% no período analisado.
Atualmente, o setor nacional de rações continua em plena expansão dentro dos já tradicionais segmentos consumidores do produto, como a avicultura, bovinocultura e suinocultura. também tem apresentado incrementos bastante significativos em outros segmentos que antes eram pouco representativos (piscicultura e animais de companhia) no volume total anual consumido de rações. Em 2000, a produção do setor de alimentação animal cresceu 7% e em 2001 apresentou um incremento da ordem de 6,8%, fechando o ano com um consumo estimado em 37,8 milhões de toneladas.

Crescimento no consumo de ração

Analisando a evolução da produção nacional de ração nos últimos quatro anos (entre 1998 e 2001), podemos notar que todos os segmentos que se utilizaram deste importante insumo de produção apresentaram um incremento médio na sua utilização da ordem de 11,9%.

TABELA - EVOLUÇÃO E PROJEÇÃO DA PRODUÇÃO NACIONAL DE RAÇÕES, 1998-2002, EM MIL TONELADAS.
Setor 1.998 1.999 2.000 2001 2002(*)
AVICULTURA TOTAL 17.141,0 19.236,7 20.177,6 21.400,0 22.684,0
AVICULTURA CORTE 14.639,3 16.139,6 16.865,9 17.850,0 18.921,0
AVICULTURA POSTURA 2.501,7 3.097,1 3.311,7 3.550,0 3.763,0
SUÍNOS 9.870,8 9.425,4 10.085,2 10.600,0 11.448,0
BOVINOCULTURA TOTAL 1.599,1 2.069,6 3.410,1 3.924,0 4.316,0
PET FOODS 750,0 950,0 1.000,0 1.100,0 1.210,0
EQUINOS 264,2 282,0 320,0 340,0 360,0
PEIXES 80,0 99,1 126,8 152,8 184,0
OUTROS SETORES 397,8 444,1 280,0 300,0 315,0
Total 30.102,9 32.506,9 35.399,7 37.816,8 40.517,0
Fonte: ANFAR/SINDIRAÇÕES, ANUALPEC e AGROMARKET com cálculos do autor.
(*) Projeção para o ano de 2002.

Dentre os segmentos que apresentaram maior grau de crescimento no consumo de ração, no período analisado, destaca-se o setor de bovinocultura (corte e leite), com incremento médio de 36,4% seguido pelo setor de ração para peixes, com 24,1% e pelo setor de ''pet foods'' (alimento para animais de companhia), com 14%.
Os setores que menos cresceram no período analisado foram o de ração para avicultura de corte, com 7,7% e o de ração para suínos, com 2,5%, conforme pode ser observado na tabela 1.


Projeção de consumo para 2002

Mantidas normais todas as condições de mercado (oferta e demanda) e apostando-se num aumento das exportações de carne bovina, suína e de frango, numa projeção conservadora, aposta-se num crescimento da ordem de 7% para a produção nacional de rações, que deverá atingir um volume de 40,5 milhões de toneladas em 2002.
Para o setor de avicultura (corte mais postura), a produção nacional deverá superar os 22,6 milhões de toneladas, crescendo 6% e mantendo este segmento na posição do maior consumidor nacional do produto. A suinocultura vem logo atrás com uma projeção no consumo de aproximadamente 11,4 milhões de toneladas e um incremento de cerca de 8% no consumo, devido ao panorama favorável vivido pelo setor em 2001 que aposta na expansão do mercado e das exportações.
O setor de bovinocultura de corte e de leite vem a ser o terceiro grande consumidor de ração no Brasil, devendo consumir em 2002 algo em torno de 4,3 milhões de toneladas do produto, com crescimento projetado de 10% no consumo. Finalmente, na quarta colocação, destaca-se o setor de ''pet foods'' com uma demanda estimada de 1,2 milhão de toneladas para o próximo ano e crescimento projetado da ordem de 10%.
Além destes setores já analisados, há que se destacar o de aquicultura que, apesar de estar classificado como o sexto maior setor consumidor de ração no Brasil, vem apresentando anualmente um crescimento bastante significativo na demanda (media de 24,1% entre 1998 e 2001). Para o ano de 2002 não será diferente, espera-se um aumento de 20,4% no consumo deste produto.

João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
e-mail: [email protected]

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