Um spa de engorda para bois, um ''boitel''. Esta é a solução proposta pelo administrador de empresas e pecuarista londrinense Norival Rico Filho para evitar a diminuição no ganho de peso dos animais durante o inverno. ''Com o boitel, o produtor não precisa disponibilizar área para plantio e ensilagem de volumosos, nem se preocupar com os tratos culturais'', afirma.
A idéia de criar um hotel para bois nasceu de visitas feitas pelos confinamentos no Estado de São Paulo. Segundo Norival, os pecuaristas paulistas contam hoje com cerca de 155 mil vagas em boitéis, enquanto o Paraná mais suscetível a perdas de pastagem no inverno, devido a grande incidência de geadas não possuia nenhuma experiência do tipo até então.
O primeiro boitel paranaense, localizado a 20 quilômetros de Londrina, foi projetado para abrigar até 6 mil cabeças de gado. Nessa primeira fase, o confinamento conta com 24 piquetes que comportam de 90 a 130 animais cada, perfazendo um total de 2,5 mil cabeças. Para ''hospedar'' seus animais, o proprietário precisa seguir algumas normas como ter a vacinação contra aftosa e carbúnculo em dia e colocar brinco em caso de rastreamento. ''Todos esses procedimentos podem ser feitos no próprio boitel, mas o custo é repassado ao investidor'', declara Norival.
Animais machucados são descartados e mandados de volta ao pecuarista. O administrador ressalta que, antes de ser levado ao cocho, o boi passa por um período de adaptação em um pasto onde se alimentará apenas de volumoso. ''Se ele se acostumar a comer no cocho permanece no confinamento. Se não conseguir, também retornará ao dono'', avisa.
Cada investidor tem um piquete único e os primeiros animais a deixarem o local são sempre os mais gordos. Norival lembra que, no boitel, não fica garantido o ganho de peso e sim a nutrição adequada do animal, que é feita com acompanhamento técnico.
Dos 100 alqueires destinados ao boitel, 60 são cultivados com sorgo, utilizado na fabricação da ração animal. A mistura conta ainda com caroço de algodão, gérmen de milho e farelo de polpa cítrica. Segundo Norival, os ingredientes são misturados diariamente e distribuidos aos animais pelo menos cinco vezes ao dia.
O sorgo é plantado em setembro e colhido em duas etapas. A primeira colheita ocorre em dezembro e a segunda, em março. A expectativa é produzir 4 mil toneladas por ano. Toda a produção é armazenada em baias na propriedade. ''Temos capacidade para alimentar 10 mil cabeças de gado por ano'', calcula Norival.
O administrador explica que a construção do boitel foi planejada respeitando as condições ambientais. A água da chuva que se acumula nos piquetes, por exemplo, é represada e bombeada para a plantação de laranjas, que ocupa 24 alqueires na propriedade. Já o esterco animal é usado como adubo nos pomares.

Serviço Mais informações sobre os serviços oferecidos pelo boitel podem ser obtidas pelo telefone (43) 3329-7202.

mockup