O Brasil insiste em disputar o mercado asiático para a carne bovina. No fim de maio, uma missão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) vai à China na expectativa de finalizar negociações que ainda dependem de entendimentos sanitários. Ao mesmo tempo, o Brasil começa a negociar com a Indonésia, que já consome carne bovina brasileira vinda de Cingapura, segundo Marcos V. Pratini, diretor da Abiec. ''Até o momento, a carne brasileira entra na China via Hong Kong e na Indonésia via Cingapura. Queremos vender diretamente e, para isso, estamos realizando os procedimentos sanitários'', disse.
Ao mesmo tempo em que continua buscando mercados, Pratini comemora o avanço das exportações. Em abril, a receita com as vendas para o Egito cresceram 119% em relação ao mesmo período de 2003. Para a Alemanha, a expansão foi de 110%, 60% para o Chile, 55% para Hong Kong e 48% para os Países Baixos. Para a Venezuela, as vendas passaram de US$ 9 mil para US$ 4 milhões. Pratini disse que o Brasil apenas não exportou mais em abril porque faltaram contêineres. ''O mercado está comprador, o problema é a falta de contêineres'', disse.
As exportações no primeiro quadrimestre atingiram 312.208 toneladas (ou 526.174 t equivalente carcaça), um volume 19,50% maior que o verificado em igual período de 2003, quando as exportações foram de 261.224 toneladas (ou 440.305 equivalentes carcaça), segundo dados da Secex, compilados pela Abiec. A receita cambial ficou em US$ 666,9 milhões, com crescimento de 54,85%. ''Estamos conseguindo ampliar os destinos da carne brasileira sem registrar queda de preço'', disse. Ele admite, contudo, que a desvalorização do real ante o dólar ajudou, ao tornar o produto brasileiro mais competitivo no exterior, apesar dos impostos que o importador tem de pagar, principalmente na União Européia, onde o imposto incidente está, em média, em torno de 176%.
Em abril, as exportações ficaram em 84.413 t, resultado 26,53% superior a abril de 2003 e o segundo maior volume registrado em todos os tempos, inferior apenas exportado em março. Deste total, 66.609 t são de carne in natura, com alta de 28%, e 17.804 de industrializada, com alta de 20,72%. A receita total ficou em US$ 184,031 milhões, com aumento de 65,12%. Do total, US$ 145,6 milhões referem-se às vendas de in natura, com alta de 74% em relação a abril de 2003, e US$ 38,4 milhões foram de carne industrializada, com alta de 38,24%.
Pratini de Moraes disse que o Brasil vai incrementar sua participação no setor chamado de porções controladas, aquele de carne embalada, que agrega valor ao produto. ''Hoje exportamos mais produtos brutos, sem cortes especiais. Queremos crescer neste setor, pois estaremos trazendo para o Brasil o valor que muitas empresas agregam à carne brasileira lá fora'', disse. Para que isto se concretize, Pratini disse que o Brasil precisa aumentar o abate de animais com carcaça padronizada de melhor nível.
Pratini informou que as negociações com a União Européia continuam para criação de uma cota de importação de carne bovina nos moldes da cota Hilton. O diretor da Abiec disse que existe uma proposta informal de criação de uma cota da União Européia para o Mercosul de importação de 100 mil t de carne por ano com imposto em torno de 20%. Hoje só o Brasil exporta 250 mil t para a União Européia, com impostos que podem chegar a 250% (176% na média). ''Estamos tentando aumentar este limite. Achamos que a oferta da UE ainda é modesta'', disse.
Também está em estudos a criação de uma associação, nos moldes da Abiec, para o Mercosul. Pratini lembra, contudo, que a tendência dos subsídios é de serem reduzidos. Depois de reforçar durante anos que os países ricos gastam, por dia, US$ 1 bilhão de subsídios agrícolas, Pratini hoje ressaltou que estes subsídios caíram para US$ 950 milhões por dia. ''É uma redução ainda marginal, mas é uma redução'', disse. (Agência Estado).

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