Boi, a grande fonte de matérias-primas
A carne não é a única riqueza que o boi produz, garante o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Alberto Gomes. Além do couro, que pode ter valores mais remuneradores do que a própria carne, os subprodutos têm valor nas indústrias têxtil, de calçados, na farmacêutica, perfumaria, alimentícia e outras.
Esses subprodutos, ensina o pesquisador, são classificados em não-comestíveis e comestíveis. ''Dependendo da prepraração podem ser enquadrados em ambas categorias.'' Dentre os subprodutos comestíveis o fígado é o mais consumido. Pelo seu alto valor nutritivo, é indicado no tratamento das anemias. Outros órgãos são também apreciados e fazem parte da culinária, como língua, miolo, rabo, bucho, coração.
Os não-comestíveis, aqueles que não podem ser consumidos, como patas, são desmembrados em diferentes subprodutos. A bílis tratada é usada em produtos farmacêuticos para problemas digestivos e o cálculo biliar, quando encontrado é seco e vendido para países do oriente.
Apesar de a pele ser uma matéria-prima das mais requisitadas, ainda é muito maltratada e pouco valorizada. ''O produtor brasileiro não se sente remunerado pela pele quando vende o gado'', diz o pesquisador Alberto Gomes.
''Tanto faz ele vender um animal com uma pele ótima ou ruim, o valor que recebe é o mesmo.'' Segundo o pesquisador, se no Brasil o couro acabado fosse mais valorizado, a atividade poderia gerar cerca de 200 mil novos empregos com uma receita em torno de R$ 2,2 bilhões/ano.
''As indústrias brasileiras de couro têm espaço para buscar mais lucros, só que para isso seria necessário um trabalho de valorização do couro, incentivando, conscientizando e remunerando melhor o produtor de gado. Comparado aos Estados Unidos o Brasil US$ 500 milhões/ano. Lá, 85% do couro produzido é de primeira qualidade e aqui, só 8,5% atende aos padrões internacionais.''
A pele depois de tratada, chamada de couro, é utilizada na fabricação de bolsas, calçados, revestimentos (bancos de avião, carros, sofás, entre outros), material esportivo, como bolas, tênis, chuteiras e luvas de goleiro e até em roupas de luxo.
Da pele do boi se extrai o colágeno, substância poderosa utilizada em cosméticos (cremes e esmaltes) e ainda uma gelatina, usada na fabricação de medicamentos, filmes radiológicos e chicletes.
Das glândulas do boi, como as supra-renais, tireóide, pâncreas, entre outras, são extraídas substâncias usadas em medicamentos e perfumaria. A insulina para diabéticos, por exemplo, é extraída a partir do pâncreas. Do intestino produzem-se fios usados em cirurgias; a gordura é aproveitada para fazer sorvetes e produtos de confeitaria.
Já o sebo, que não é comestível, serve para produção de velas, sabão e sabonetes perfumados. Dos pêlos do boi são fabricados pincéis, escovas de cabelo, de roupa e de limpeza - todos extraídos da cauda. Dos pêlos de dentro da orelha do boi se produz pincéis de pintura finíssimos.
''Muitos já ouviram falar que a gelatina que se come vem do boi. Na verdade, os tendões e ligamentos é que são transformados em gelatina,'' afirma o pesquisador. Dos chifres são extraídos componentes usados no pó do extintor, e fazem-se, também, pentes e botões.
Os ossos, fontes de cálcio e fósforo, são usados na produção de farinhas, que são utilizadas na alimentação de animais e aves. Uma vez calcinados, são usados na fabricação de porcelana, cerâmica, refinação de prata e na fusão do cobre. Em usina de açúcar, utiliza-se o carvão de osso para alvejar e refinar o açúcar.
Até o sangue dos bovinos é aproveitado para produção de plasma, soro e farinha de sangue ou sangue solúvel. O plasma é usado na fabricação de embutidos; do soro confeccionam-se vacinas; a farinha de sangue é aplicada como fertilizante, por causa do alto teor de nitrogênio, e o sangue solúvel é desidratado e aplicado em ração animal e para cola de madeira compensada.





