Boas práticas garantem eficiência dos fertilizantes
A adoção de sistemas de cultivo adequados tem como vantagem a preservação das condições do solo e pode aumentar a eficiência dos fertilizantes. Atualmente esses insumos representam entre 15% e 20% do custo de produção da lavoura, o que naturalmente exige a atenção e preocupação com os resultados.
Atualmente, indústria e comércio adotam a tendência das boas práticas para uso de fertilizantes. A indicação de um produto é sempre baseada em fundamentos e características de cada cultura. Além disso, os fabricantes passam a desenvolver produtos com características para aumentar a eficiência. As necessidades, época de aplicação e dose são definidas de acordo com a cultura.
Um dos aspectos avaliados na indicação dos produtos é localização adequada do fertilizante. ''A recomendação prevê a forma adequada de depositar o produto no sulco ou quanto se deve aplicar na cobertura'', exemplifica Costa. A época de aplicação também é deve ser considerada. Na pastagem por exemplo, o verão é o período indicado, pois o aproveitamento do produto depende de água e calor. ''O nutriente só é absorvido se estiver dissolvido na água do solo'', diz o agrônomo.
A redução das perdas dos fertilizantes tem sido priorizada pelos fabricantes. Um revestimento químico na ureia, por exemplo, tenta inibir a perda de nitrogênio por denitrificaçao (volatilização) ou por lixiviação, em cujo processo o nitrato resultante das reações químicas desce para as camadas mais profundas do solo e pode alcançar até lençóis freáticos.
Tratamentos químicos aumentam a eficiência do fósforo. Alguns processos tentam diminuir a fixação do produto no solo e as reações que possibilitam a lixiviação, processo que também pode ocorrer com o fósforo. A forma esférica das partículas dos produtos é outra maneira de aumentar a eficiência, já que a esfera diminui a área de contato com o ambiente e retarda a solubilidade.
O potássio é outro componente que requer alguns cuidados para aumentar a eficiência. Deve-se garantir a absorção do produto pela planta, pois o que não é incorporado pela planta passa pelo processo de lixiviação. Uma forma de evitar o problema, segundo o técnico, é parcelar a aplicação de acordo com o ciclo da planta.
A calagem é uma das mais importantes ferramentas para a obtenção de condições adequadas do solo e para o agrônomo é o primeiro fator a ser considerado na adubação. ''Reduz a acidez do solo e favorece o crescimento da planta'', resume. Costa destaca que o calcário também aumenta a eficiência dos fertilizantes. ''Com o solo menos ácido, a maioria dos nutrientes é melhor aproveitada, além de fornecer cálcio e magnésio'', completa. O calcário diminui a fixação do fósforo e pode neutralizar os efeitos do alumínio, que prejudica o sistem radicular e pode até matar a planta.
Segundo Costa, apesar das vantagens e do baixo custo o calcário é pouco utilizado, quando comparado a outros insumos. ''Enquanto os fertilizantes são calculados em quilos, o calcário é aplicado em toneladas'', diz. Uma tonelada de fertilizante custa entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil e a tonelada de calcário em torno de R$ 80,00. (R.C.)





