A alta demanda por trigo no mercado nacional e a crescente qualidade obtida nos grãos produzidos no Paraná sinalizam perspectivas positivas com relação à safra de 2001. De acordo com os engenheiros agrônomos Sérgio Roberto Dotto e Dionísio Brunetta, pesquisadores do Embrapa Soja especializados em trigo, a Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo) manifestou intenção de comprar 5,5 milhões de toneladas do produto nacional. O número é expressivo diante da produção do ano passado, que ficou em torno de 1,5 milhões de toneladas. Segundo eles, o consumo anual de trigo no Brasil é superior a 9 milhões de toneladas.
Bom mercado Para garantir maiores possibilidades de rendimento com a cultura, o ideal é realizar o plantio no final de março e início de abril, quando há maior incidência de chuvas. As condições climáticas da época, aliadas às características genéticas das sementes utilizadas, garantem trigo com alta força de glúten, qualidade correspondente a 60% da necessidade do mercado.
‘‘O Norte do Paraná terá a primeira colheita do ano. Como as características do trigo produzido atendem às exigências das indústrias, há mercado garantido junto aos moinhos’’, afirmaram. Outro fator que fomenta a aceitação do trigo nacional é a má qualidade do produto colhido na Argentina ano passado, que não atingiu a força de glúten esperada.
O comportamento do milho safrinha no mercado também favorece o plantio do trigo. Os agrônomos da Embrapa informaram que o preço do milho é o pior dos últimos dez anos, apresentando queda de 40% com relação aos valores praticados há seis meses atrás. ‘‘Como a situação está confusa, acho que o trigo é uma boa opção para compensar o prejuízo’’, disse Dotto.
Compra de insumos Ele ressaltou que o útlimo prazo para plantar o safrinha é 15 de março. Após esta data, o agricultor que optar pela cultura corre mais riscos de enfrentar prejuízos. No ano passado, por exemplo, os produtores que plantaram milho nessa época perderam toda a safra por causa das geadas. Por outro lado, não houve perda total do trigo, graças à sua maior tolerância a baixas temperaturas.
Para os agricultores com intenção de plantar o cereal no início da safra, é hora de começar a se preocupar com a compra de insumos e sementes. Os especialistas informam que os produtores de sementes anunciaram 1,6 milhões de sacas disponíveis no mercado. A quantia é suficiente para o plantio de aproximadamente 600 mil hectares. No ano passado, o trigo ocupou 750 mil hectares em terras paranaenses.
Seminário técnico Com o objetivo de debater essas e outras questões relacionadas à cultura, grande parte dos representantes da cadeia produtiva do trigo estará reunida de 19 a 23 de fevereiro, em Londrina, para participar do 2º Seminário Técnico do Trigo e a 16ª Reunião da Comissão Centro-Sul Brasileira de Pesquisa de Trigo. Devem participar pesquisadores, fornecedores de insumos, produtores, representantes do setor comercial e industrial, além dos consumidores, representados pelos moinhos de trigo.
Na palestra de abertura, será abordada a importâcia econômica da cultura do trigo no sistema de produção agrícola da região Centro-Sul do Brasil. A palestra será proferida pelo engenheiro agrônomo Aroldo Galassini, presidente da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo). Outro destaque serão as apresentações dos resultados de pesquisa sobre controle de doenças, pragas e novas cultivares.
Entre as novidades, a variedade BRS 208, desenvolvida pela Embrapa. A espécie apresenta alto rendimento e ampla adaptação às condições naturais de todas as regiões do Estado. Por ser rústica, a variedade também é mais resistente às principais doenças, fato que implica em diminuição nos custos com fungicidas.
Ao final do evento, os membros da Comissão Centro-Sul vão elaborar uma publicação com as recomendações técnicas para a cultura do trigo na safra 2001. Segundo os pesquisadores Dotto e Brunetta, a publicação consistirá no documento oficial da comissão sobre o assunto.

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