Atual administradora do Centro de Treinamento Agrícola (CTA/FAEP) de Assis Chateaubriand (72 km ao norte de Cascavel), a engenheira agrônoma Sandra Tercia Ferneda Ventorim esteve em Ibiporã visitando o CTA da região. Quando assumiu, em outubro do ano passado, Sandra até pensou ‘‘será que vou dar conta?’’. Nove meses depois, ela ainda vive as diferenças. ‘‘Antes eu era da teoria, agora tem que ser a teoria na prática’’, lembra.
  Ex-instrutora do Serviço Nacional do Aprendizagem Rural (Senar), Sandra tornou-se especialista em cursos de qualidade rural. De acordo com a engenheira agrônoma, a idéia é implantar no campo o mesmo programa dos cinco ‘‘S’’ (senso de descarte, de organização, limpeza, higiene e ordem mantida) lançado pelos japoneses e adotados mundo afora com os projetos de qualidade total. ‘‘É um programa de envolve toda a família rural’’, garante.
  São dois cursos distintos, mas um seqüência do outro. Primeiro vem o De olho na Qualidade Rural, justamente o que propõe a adoção dos cinco ‘‘S’’ e depois o curso de Qualidade Rural, que dura cerca de seis meses. ‘‘De uns oito anos pra cá, esses programas têm conquistado os produtores da região oeste do Estado’’, explica Sandra.
  ‘‘A região tem premiado os produtores. Desde o ano 2000 tenho acompanhado uma mesma família ganhando prêmios com os melhores resultados e eles já têm microondas, televisão 29 polegadas. Mas o importante é estar participando e servindo de modelo para outros produtores’’, conta. ‘‘Eu não ensinava nos cursos, mas sim motivava. A gente tira a poeira da pedra preciosa e ela começa a brilhar’’, avisa a ex-instrutora.
  Nesse anos de profissão, Sandra Ventorim tem visto muita coisa mudar. Primeiro que já, lembra ela, não existem mais agricultores e sim produtores rurais. ‘‘E os sítios agora viraram empresas rurais’’, ensina. A posição da mulher no campo também vem mudando e muito. ‘‘Quando a família inteira participa dos cursos, a mulher passa a conhecer questões administrativas que até então ficavam nas mãos dos homens. Aí ela começa a saber e ter noção de onde está vindo o sustento da família. A mulher tem mais a percepção dos detalhes, dos pequenos detalhes, e também tem mais facilidade para se ajustar e se empenha nisso’’, avisa.
  Os filhos também entram na mudança. ‘‘Durante muitos anos foi batido na tecla de que o filho tinha que estudar. O produtor rural dizia que a agricultura não dava nada e incentivava o filho a ir para faculdade’’, lembra. ‘‘Hoje, os cursos de empreendedorismo rural são voltados para os jovens, que estão buscando alternativas’’, relata Sandra. Segundo a engenheira agrônoma, uma segunda turma do curso, lançado no ano passado pelo Senar, está para se formar nos próximos dias. ‘‘O objetivo desses jovens é se fixar no campo com rentabilidade’’, garante.
  ‘‘Há um horizonte a ser conquistado, mas é importante ter uma visão de dentro para fora e de fora para dentro’’, diz. ‘‘Ao entrar em contato com cursos como o de qualidade rural, a auto-confiança do produtor muda. Se ele visualiza onde quer chegar, não tenha dúvida que vai chegar’’, afirma. Além das aulas, os participantes também seguem se reunindo de tempos em tempos para, segundo Sandra, ‘‘trocar figurinhas’’. ‘‘Eles ficam motivados e querem mostrar para os outros os benefícios conquistados’’, diz.
  No CTA de Assis Chateaubriand, administrado por Sandra Ventorim, a ‘‘Sala do Produtor’’ tem acesso à Internet. ‘‘É uma ferramenta que desperta boas idéias. Nessa sala, o produtor pode pesquisar e ver o que há lá fora’’, ensina. ‘‘O campo não é limitado, é o conservador que se limita’’, filosofa.

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