Na região Oeste do Estado está concentrada a maior área de cultivo da safrinha de soja, devido às condições favoráveis do clima com temperaturas elevadas e pouca possibilidade de geadas no início do inverno, no período da colheita. Aproximadamente 4.200 produtores devem plantar 23 mil hectares até o final deste mês.
Segundo informações do agrônomo Osmair Mendonça, responsável pelo campo experimental da Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri (Coopervale), cerca de 4 mil produtores devem plantar soja na safrinha, representando mais de 60% dos associados da cooperativa. ‘‘Na nossa região, a safrinha de soja já virou uma tradição, e os produtores planejam seu plantio durante a safra de verão’’, informou Osmair.
O planejamento do plantio da safrinha começa no plantio da safra de verão, e os produtores utilizam uma boa tecnologia, observando época de plantio, escolha correta de cultivares, investindo em adubação, manejo de pragas e ervas daninhas.‘‘A safrinha de soja é uma alternativa que tem se mostrado viável, proporcionando uma renda extra e diluição do custo fixo’’, diz Osmair.
ProdutividadeNos municípios de Palotina, Terra Roxa e Maripá, área de ação da Coopervale, 50% dos 16 mil hectares previstos para a safrinha já estão plantados. A produtividade alcançada no ano passado foi em média 35 sacas/ha. Segundo Osmair, o ano passado foi especialmente bom, mas a expectativa para este ano é de manter esta mesma produtividade, podendo chegar, em alguns casos de produtores tecnificados, a 40 sacas/ha.
A variedade mais utilizada pelos produtores é a FT Cristalina, depois vem a Seriema, Engopa 313 e FT Estrela. A Coopervale está testando outras cultivares, para recomendar no próximo ano. Pesquisa-se uma variedade de maior potencial, mais resistente, de ciclo semiprecoce e de média precocidade, para substituir as que estão sendo utilizadas atualmente.
O agrônomo alerta que o plantio da safrinha, mesmo trazendo renda extra, é uma atividade de alto risco para o produtor, e do ponto de vista técnico as observações de campo têm mostrado que a safrinha favorece o aumento de doenças e populações de pragas.
GuaíraJá na área de ação da Cooperativa Agrícola Mista Rondon (Coopagril) o município de Guaíra é responsável pelo plantio de 6,5 mil ha dos 7 mil ha que devem ser plantados, envolvendo aproximadamente 200 produtores. Segundo Carlos Roberto Praisler, gerente do Departamento Agronômico a produtividade média é de 1.200 quilos/ha ou 20 sacas/ha.
O principal problema da safrinha na região é a incidência de pragas, especialmente a vaquinha, que não é comum na soja, mas que nesta época aparece em grandes infestações. ‘‘A vaquinha e o percevejo estão presentes desde a implantação da lavoura até a colheita, o que não acontece na safra tradicional’’, comenta o agrônomo.
Carlos Roberto informou que os investimentos são reduzidos quando comparados com a safra de verão, mas os produtores fazem um controle normal de ervas daninhas e pragas, e adubam em média 30% a 40% do total recomendado na safra convencional.
Região NorteNa Região Norte do Estado o plantio de soja no período de safrinha não é recomendado pela pesquisa, devido às condições adversas do clima para um bom desenvolvimento da lavoura. O pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (CNPSo) da Embrapa, Antonio Garcia, comenta que a irregularidade das chuvas na região e a ocorrência de geadas no início de inverno são fatores que desestimulam os produtores.
‘‘Este ano, um número maior de agricultores tem procurado o CNPSo atrás de informações para o plantio da safrinha de soja, provavelmente, pelo fato do milho estar enfrentando problemas de preços, e a soja estar remunerando bem o produtor’’, comentou Garcia.
No ano passado foram plantados
57 mil ha na safrinha de soja, e para
este ano a área deve ser um pouco
maior.
O pesquisador informou que o Centro não desenvolve nenhum trabalho de pesquisa para orientar a safrinha, não tendo pesquisado nenhuma variedade que se adapte às condições deste período. Ele alerta que o cultivo da safrinha tem um risco grande e pode aumentar a ocorrência de pragas e doenças. ‘‘Algumas das variedades utilizadas neste período são bastante suscetíveis ao cancro-da-haste, um sério problema que leva a perdas significativas na produção’’, diz Garcia.

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