Boa qualidade no Norte do Paraná
Jota Oliveira
De Londrina
Essa constatação é do pesquisador Sérgio Dotto, especialista em trigo da Embrapa Soja, sediada em Londrina. No final da semana passada ele calculava que 35% dos trigais norte-paranenses tinham sido colhidos, e previa que até dia 10 deste mês (ontem), a colheita terminaria na região. A análise do material colhido revelava que as lavouras semeadas na época certa abril apresentavam boa qualidade e alta produtividade.
O restante das lavouras estava na fase de maturação. O Norte do Paraná tem cerca de 35% da área tritícola do Estado. Quem semeou em abril e usou fertilizantes, estava colhendo acima de 2.400 kg/ha.
Dotto contou que o produtor Ricardo Araújo (Fazenda Couro do Boi, no município de Bela Vista do Paraíso) vinha obtendo média de 3.700 quilos por hectare (ha), em área de 315 ha de trigo. Este resultado, que o pesquisador considera excelente, deve-se ao bom clima durante o ciclo da lavoura, na região. Além da ajuda da Natureza, desde 1994 aquele produtor atende as recomendações técnicas para o cultivo, entre elas plantar na hora certa e adubar. Porém, lavoura de semeadura tardia (início de maio), pegou seca, calor; foi prejudicada no enchimento dos grãos e teve maturação antecipada. Resultado: prejuízo na qualidade.
Importância da adubaçãoO pesquisador Sérgio Dotto salienta a importância do uso de fertilizantes em trigo. Ele salienta que, na sucessão soja-trigo, se o lavrador pretender utilzar fertilizantes apenas em uma cultura, deve aplicar no trigo. Isto é fundamental em triticultura. Tanto que, nesta safra, quem semeou na época recomendada, mas não adubou, está colhendo apenas de 1.492 a 1.670 kg/ha. Ou seja, colhe a metade de quem usou fertilizante.
Muitos produtores, lembra, alegam que não usaram adubo, porque o preço subiu muito. Mas, fertilizante é fundamental, porque o trigo responde à adubação, enquanto a soja, por exemplo, não dá grande resposta (em produção), ressalta o pesquisador. Por isso, os especialistas recomendam, a quem possui solo de boa fertilidade, que adube o trigo em vez de adubar a soja.
Dotto recorda entrevista que deu à Folha Rural, em fevereiro, prevendo que este ano seria bom para a produção de trigo e que os preços também seriam bons. A previsão confirmou-se, porque o trigo no Norte do Paraná estava sendo vendido a R$230-R$250 a tonelada, há uma semana, enquanto o preço mínimo era de R$185/t. Esse preço é bem superior ao do milho safrinha, segundo o pesquisador: Quem usou tecnologia, está ganhando muito mais dinheiro.
O Norte do Paraná, destaca Dotto, é excelente produtor de trigo, por várias condições, entre elas: colhe mais cedo, colhe em condições ideais de clima (seco), põe o trigo no mercado num momento em que ainda não chegou o trigo de outras regiões brasileiras. Os dois primeiros fatores favorecem a qualidade do produto; a última vantagem beneficia os preços e o bolso do agricultor.
O único problema no Norte do Paraná, ressalva o pesquisador, é a má distribuição de chuvas durante o ciclo da cultura, mas com bom manejo do solo, plantio direto e rotação de culturas ameniza-se grande parte do problema, ressalva. Neste inverno, até semana passada, chovera apenas duas vezes em abril, uma vez em maio, uma em junho e uma vez em julho, no Norte do Paraná, mas o trigo só quer chuva na fase de desenvolvimento, até o espigamento. É o que está sendo provado nesta safra. A safra é boa, também, para muitas lavouras, porque não choveu durante a colheita no Norte do Estado. No Sul, onde a colheita não teve início, começou a chover, pondo em risco a qualidade do grão.
No Oeste e Centro-Oeste do Paraná a semeadura foi feita em abril - início de maio. A colheita já começou naquelas regiões, com bom rendimento (em torno de 2.480-2.975 kg/ha) e qualidade. Lá estão 46% dos trigais paranaenses. No Sudoeste e no Sul a fase é mais tardia, porque a semeadura foi feita no final de maio e no mês de junho. Já houve perdas com geada e seca, porque as lavouras estão todas na fase de desenvolvimento, quando precisam de água. Lá estão 18% dos trigais do Paraná, e a produtividade depende das condições climáticas até outubro e novembro, quando será feita a colheita.
QualidadeQuem usou fertilizante adequadamente, analisa Dotto, está obtendo trigo dentro dos padrões de panificação (pães tipos francês e de fôrma, ou industrial), de alto grau de glúten e pH acima de 80%, porque as temperaturas amenas deixaram o grão formar-se, sem acelerar a formação.
Nas áreas que não receberam fertilizante serão comprometidas a qualidade e a força de glúten, com aparecimento de manchas amareladas (pança branca), devido à má formação de amido e proteínas, o que influencia na força de glúten.
Nas áreas onde o enchimento dos grãos está ocorrendo agora, sob falta de chuva, pode ocorrer maturação precoce e isso prejudicará a formação de proteínas e de glúten. Por isso, Dotto adverte, já pensando na próxima safra de trigo: No Norte do Paraná a semeadura precisa ser feita em abril, e é preciso aplicar fertilizantes.A colheita está terminando na região. Chuva no desenvolvimento e seca no final do ciclo beneficiaram produto
Marcos NegriniColheita de trigo no Norte do Paraná, onde a produtividade e a qualidade têm sido boasPaulo WolfgangSérgio Dotto, pesquisador da Embrapa Soja





