O pau-rosa (Aniba roseadora Ducke), um dos principais fornecedores de fixadores de perfume fabricados por perfumarias brasileiras, americanas e francesas, acha-se em extinção. O Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Ocidental (CPAA, ou Embrapa Amazônia Ocidental) estuda alternativas, entre as quais a sacaca (Croton cajucara Benth), mais conhecida por seu uso medicinal contra malária, hepatite, cirrose e colesterol alto.
A sacaca, também chamada de casca-sacaca e muíra-sacaca, é uma planta arbustiva, de casca pulvirulenta; folhas alternas, lanceoladas e olentes (cheirosas); flores unissexuais, amareladas em rácemos (cachos) terminais. É comum na Amazônia. São conhecidas três variedades de sacaca (branca, vermelha e roxa) e uma espécie de folhas estreitas, denominada sacaquinha - informam os pesquisadores Antônio Franco de Sá Sobrinho e Wellington Oliveira, da Embrapa Amazônia Ocidental.
Terapêutica e cosméticos Utilizam-se as folhas e a casca da árvore. O chá, na dosagem de 20g de folhas frescas, ou 10g de folhas secas para um litro de água, serve para distúrbios do fígado e dos rins e baixa o teor de colesterol.
Os pesquissadores observam que a sacaca produz um óleo essencial do qual se extrai o linalol, utilizado nas indústrias de perfumaria e cosméticos. O linalol produzido nas folhas da sacaca é semelhante ao linalol produzido na madeira do pau-rosa. Existem algumas características diferentes entre o linalol produzido nas folhas da sacaca e o linalol produzido na madeira do pau-rosa.
‘‘O interesse pelas pesquisas do linalol da sacaca é tê-lo como mais uma opção na economia nacional, além deste ser produzido a partir do sexto mês de plantio, ao passo que o pau-rosa produz a partir do vigésimo ano de plantio’’, explica Antônio Franco de Sá Sobrinho. A sacaca produz em média 43% de linalol, o pau-rosa produz 85%. Entretanto, para extraí-lo a árvore é derrubada totalmente, enquanto da sacaca colhem-se apenas folhas, sem destruir a planta.
Aspectos agronômicosNão existem resultados de pesquisas agronômicas sobre o culivo da sacaca. Não existem plantios comerciais. Os plantios são feitos em fundos de quintais ou nos jardins, para uso familiar, e o excesso é vendido em feiras-livres e mercados.
Pela falta de resultados de pesquisas agronômicas, a Embrapa Amazônia
Ocidental, em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), vem
desenvolvendo paralelamente atividades agronômicas e fitoquímicas. ‘‘Nas nossas condições a sacaca não florou e, consequentemente, não produziu sementes. Os trabalhos agronômicos aqui no CPAA baseiam-se em estudos de adubação, espaçamento, enraizamento de estacas através de fitohormônio e época ideal de coleta de folhas para extração de óleo essencial’’, diz Antônio Franco de Sá Sobrinho.

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