O mercado da laranja inicia o mês de agosto com boas perspectivas para produtores e indústria no Paraná. Redução na produção dos principais mercados produtores, como os estados de São Paulo e Flórida (EUA), diminuição do estoque mundial de suco concentrado e a recuperação do consumo depois da crise financeira mundial têm refletido positivamente nos preços da fruta e do suco.
Peter Elshof, gerente comercial de citros da Cooperativa Cocamar, que industrializa a laranja, relata que a disputa pela fruta em São Paulo tem sido grande, porque a produção estimada tem caído, e isso acaba tendo impacto positivo no mercado paranaense. Segundo ele, há comentários de que em alguns casos o produtor paulista chegou a receber nessas últimas semanas até R$ 14 pela caixa de 40,8 quilos. Nessa mesma época do ano passado, para se ter uma ideia, o preço girava em torno de R$ 5.
No Paraná, conforme Elshof, as expectativas são boas. Porém ainda não é possível definir o preço que o produtor cooperado da Cocamar vai receber pelo produto no final desta safra. O valor, acrescenta, é fechado no final do período de colheita. Na última temporada, os agricultores receberam R$ 5,20, em média, por cada caixa. E segundo o gerente da Cocamar, esse foi o melhor preço pago para os citricultores no Estado. Por enquanto, os cooperados têm recebido de adiantamento R$ 3,70, em média, para cobrir custos com frete e colheita.
O preço do suco concentrado praticado no mercado internacional também tem deixado o setor animado. A tonelada do produto está avaliada em US$ 1,7 mil na bolsa de Nova Iorque. Mas em alguns negócios fechados com países europeus e asiáticos os preços da tonelada têm superado os US$ 2 mil.
''É maior do que no início da safra em 2009, quando os valores começaram em US$ 1,5 mil mas caíram para menos de US$ 1 mil'', observa Elshof, que diz que por enquanto a indústria está satisfeita com os preços atuais, tem boas expectativas, mas teme queda nos valores. Na opinião dele, a manutenção desse cenário vai depender se as grandes indústrias de São Paulo conseguirão sustentar os preços mais altos.
Em 2009, a Cocamar esmagou 17 mil toneladas de laranja. Este ano, como houve uma quebra na produção da fruta, por conta de problemas no período de florada, a previsão é que o volume seja até 25% menor. Atualmente, 50% da produção de suco concentrado da cooperativa segue para a Europa. Os outros 50% tem como destino países asiáticos, do oriente médio, Canadá, Japão e Brasil.
No Paraná, a projeção para a safra atual é de 650 mil toneladas de laranja, cerca de 8% a mais que 2009. Segundo Paulo Andrade, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), a expectativa é de uma produção de 15,9 milhões de caixa. O preço no início desta temporada, acrescenta ele, tem sido quase o dobro dos pagos no mesmo período de 2009. Em julho do ano passado, o valor foi em média de R$ 4 a caixa. Em 2010, os preços estão próximos de R$ 10. Andrade reforça que no ano passado, a média paga ao produtor foi de R$ 5.
''Os preços começaram bem nesta safra e estão melhorando ainda mais. No ano passado, o mercado de citricultura sentiu o reflexo da crise mundial e a alta de estoque do suco concentrado no mundo'', explica Andrade. No Estado, pontua, as expectativas de produção são boas, o volume tem crescido, a tecnologia aplicada aqui é eficiente e os produtores são bastante cuidadosos com a lavoura.

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