Boa chance para o milho
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
A produção do milho tem como característica o abastecimento interno, consumido diretamente pelo mercado ou industrializado para rações. As exportações, embora crescentes, têm uma participação ainda modesta. Em 2008, foram exportadas 6,4 milhões de t, o que representa perto de 10% da produção total. Porém, a previsão é de que, neste ano, sejam exportados 9 milhões de t, cerca de 30% a mais.
Duas variáves, interna e externa podem mudar o cenário do mercado de milho em 2009. Em primerio lugar, as indústrias moageiras estão prevendo uma redução na demanda interna - se confirmada a previsão de recuo na avicultura e suinocultura. Em segundo lugar vem a variável externa que os analistas encaram com certo otimismo: a possibilidade do milho brasileiro ocupar espaços criados com a redução da safra norte-americana.
Portanto, são duas situações que tendem a mexer com o mercado. Uma delas é a redução do consumo interno, puxada pelo corte no setor avícola, estimado em 20%. A causa foi a crise econômica que prejudicou fortes mercados importadores, como Russia e parte do Oriente que reduziram o número de pedidos.
Se o milho perde o mercado interno (redução na avicultura) pode compensar com a chance de exportar mais, diante da redução norte-americana. É o que dizem os prognósticos feitos pela Conab. Como consequência, o valor da cotação do milho tende a aumentar. De um lado, os reflexos da crise econômica mundial reduziram seu preço no atacado para abaixo dos R$ 20,00 (entre outubro e janeiro). Com relação a dezembro, ele reagiu na casa dos 15%, por isso tanto produtores quanto atacadistas esperam novas altas para os próximos meses (na última quinta-feira operou a R$ 21,00).
Com a redução do consumo interno, vai sobrar mais grãos para exportação, mesmo com os impactos negativos da estiagem. A consideração foi feita por Eugênio Stefanello, da Conab, que estima para abril uma noção concreta sobre qual a quantidade de soja foi plantada a mais que em 2008 pelos americanos, e com isso saber a quantidade de milho que eles vão importar.
Esse contexto de mercado é favorável para o Brasil atingir pelo menos 9 milhões de t. exportadas nesta temporada. Dados da Conab mostram que os embarques para o exterior somaram 1 milhão de t. até o final de janeiro. É bem possível que o preço seja maior no decorrer do ano, aposta. Se comparado aos 6,4 milhões de toneladas de 2008, é esperado um crescimento de 30%.
Por isso, Stefanello aconselha uma pulverização escalonada dos estoques de passagem, já que é difícil saber em qual época o mercado trabalha com os melhores preços. Isso é importante para não correr o risco de vender tudo por uma cotação momentaneamente melhor, e descobrir que no dia seguinte perdeu um bom negócio.


