A exploração comercial da atemóia, apesar de recente no Brasil, vem crescendo rapidamente devido a sua boa rentabilidade. No Norte do Estado, região próxima a Londrina, o clima é bastante favorável e muitos produtores têm-se interessado pela frutífera.
Na última semana foi realizado dia-de-campo numa propriedade no município de Assaí, que reuniu 37 produtores em busca de informações técnicas para melhorar ou iniciar o cultivo. O palestrante foi o pesquisador da Área de Fruticultura Tropical, Ryosuke Kavati, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.
DemonstraçãoO dia-de-campo foi realizado na propriedade de Edson Sato, no município de AssaíSegundo Kavati, o cultivo de atemóia, iniciado na década de 80 em São Paulo, já atingiu uma área de aproximadamente 600 hectares (ha), o que é bastante significativo para uma fruteira pouco conhecida até mesmo pelos pesquisadores.‘‘A atemóia compete nas melhores faixas de rentabilidade das frutíferas, atingindo de 10 a 15 mil dólares por ha/ano’’, avalia o pesquisador.
O dia-de-campo sobre atemóia foi promovido pelo Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina, sob a coordenação dos professores João Carlos Bespalhok Filho e Carmen Neves.
CaracterísticasA atemóia, um híbrido entre cherimóia e a fruta-do-conde é uma planta perene que apresenta porte e forma variáveis, mas geralmente a copa é aberta, esparramada, podendo chegar a 10 metros de altura e igual dimensão em diâmetro. A planta perde parcial ou totalmente as folhas uma vez por ano, geralmente nos meses de inverno. Começa a produzir com 2 anos, e com 5 a 6 anos está na sua fase adulta em plena produtividade.
A atemóia possui maior porção comestível do que a fruta-do-condeA fruta tem o formato cônico, pesando de 150 a 750 gramas, com casca rugosa e polpa branca e doce. Apresenta relação polpa-semente muito maior do que na fruta-do-conde, tendo, portanto, maior porção da parte comestível.
Segundo Kavati, para produzir bem, a atemóia depende basicamente do clima, boas mudas e polinização artificial. O clima é determinante no pegamento das flores, ou frutificação. ‘‘As flores que abrem em períodos quentes e com elevada umidade relativa do ar vingam melhor do que as que se abrem em dias frios’’, informa. O clima também influencia o amadurecimento dos frutos, que em condições de temperatura amena pode chegar a até 150 dias.
Dorico da SilvaEla está entre as frutíferas mais rentáveis no mercado hojePomarPara a formação do pomar, o espaçamento adotado vai depender fundamentalmente do porta-enxerto utilizado e do clima da região. Um espaçamento básico é 8 por 5 metros. Durante os dois primeiros anos do plantio, deve-se ter como objetivo principal a formação das plantas, tendo cuidados com adubações, controle de plantas daninhas, pragas e doenças ocasionais. Nesta fase, a operação de maior importância é a poda de formação. O agrônomo Kavati explica que a poda ajuda o controle de fungos e doenças no tronco. A poda deve dar um formato de taça aberta para a planta. ‘‘Na época de repouso retira-se a gema apical. O tronco deve ser único de 30 a 40 cm de altura, com 3 a 4 pernadas bem distribuidas’’, explica Kavati.
Apesar de não ser uma planta exigente em solo, é recomendável a correção para saturação em bases de 70%, mantida com calagens periódicas. ‘‘Os solos escolhidos para o plantio devem ser profundos e bem drenados, de textura média, para evitar um dos maiores problemas da planta que é a podridão das raízes e do colo, provocada pelos ataques de fungos’’, destaca o pesquisador.
Variedades e PragasAs principais variedades cultivadas são a gefner, thompson, african pride e, em menor escala, a bradley. A gefner apresenta uma copa mais aberta em relação às demais variedades. A african pride tem ciclo vegetativo mais tardio e a thompson apresenta características bem próximas da gefner. A bradley é menos plantada, porque apresenta um grande número de ramos longos, fazendo com que a copa fique muito densa, dificultando o acesso ao seu interior.
A praga mais importante nesta cultura é a broca do fruto, de difícil controle. ‘‘O uso de produtos químicos é pouco eficiente devido à praga permanecer a maior parte do seu ciclo no interior do fruto’’, informa Kavati. É importante a coleta e destruição de todos os frutos atacados, que podem ser queimados ou enterrados. O pesquisador conta que um dos métodos mais utilizados pelos produtores em São Paulo é colocar os frutos atacados dentro de um saco plástico, usado, de adubo, fechar e deixar uma semana no sol. ‘‘Os produtores acham mais prático este método’’.
Para combater a principal doença, que é a podridão das raízes, o pesquisador recomenda porta-enxertos mais tolerantes, plantio alto, formação de um tronco único, solo com boa drenagem e evitar ferimentos nas raízes e no colo da planta.
Outras doenças que atacam a parte aérea como a antracnose, manchas foliares e podridão dos ramos, devem ser controladas com aplicações preventivas de fungicidas cúpricos e à base de mancozeb.Para uma boa formação do pomar, o espaçamento mais utilizado é de 5 x 8 metrosCristina Côrtes

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