Uma nova revolução na genética está acontecendo neste momento. A observação é do pesquisador Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja. As pesquisas, segundo ele, estão permitindo que se olhe para além das espécies com histórico conhecido. "Estão permitindo identificar genes de novas espécies e construir novos históricos."
Ele revela que no mundo estão sendo aplicadas novas técnicas de engenharia genética, mais precisas e pontuais, as quais estão permitindo o desenvolvimento de uma nova geração de plantas geneticamente modificadas com características de interesse não só ao produtor, mas também ao consumidor final.
Além disso, segundo ele, atualmente há no mundo cerca de 3 mil genomas sequenciados, mas apenas 1% é de plantas. As possibilidades para ampliar e melhorar a produção agrícola são muitas, na opinião de Nepomuceno. E ainda acrescenta que está cada vez mais fácil e rápido sequenciar genomas, inclusive de plantas. "Hoje a China tem capacidade de sequenciar 30 mil genomas por ano e de várias espécies", cita o pesquisador.
O Brasil, segundo Nepomuceno, está um pouco parado e precisava estar aproveitando melhor dessas novas tecnologias. "Mas os investimentos são altos", observa.
Sem polemizar, sobre os transgênicos, Nepomuceno tem uma análise muito clara: "A biotecnologia é mais uma ferramenta, e não a solução de todos os problemas da lavouras. As práticas de manejo agronômicas sempre devem ser observadas." Não adianta o produtor ter uma semente com alta tecnologia, explica ele, e aplicar mais defensivo do que deveria ou abrir mão de algumas técnicas fundamentais para a lavoura, como o plantio direto, uso de refúgios, rotação de herbicidas.
Hoje estão no mercado brasileiro cinco variedades de soja transgênica, de várias empresas. Uma delas é uma variedade desenvolvida pela Embrapa Soja em parceria com a Basf. Para o futuro, no País e no mundo, Nepomuceno acredita que o foco serão os alimentos com mais qualidade nutricional e plantas que toleram mais as mudanças climáticas do planeta, por exemplo. "As possibilidades da engenharia genética são inúmeras."
A Embrapa em Londrina, por exemplo, tem uma parceria com o Japão para o desenvolvimento de variedades de várias espécies resistentes à seca, entre elas de soja, eucaliptus, algodão, feijão, braquiária e milho. "A biotecnologia veio para ficar", afirma. E para se produzir mais e melhor, acredita o pesquisador, o caminho é mesmo a pesquisa. E alerta que o que "estamos desenvolvendo aqui será uma das principais fontes de alimentos para o mundo".

Exemplo
No Brasil, os avanços no campo em função da tecnologia são notórios e servem de exemplo para o mundo. Com safra de soja prevista em 87 milhões de toneladas, hoje o País é o maior produtor do grão do mundo e está à frente dos Estados Unidos em cerca de duas ou três milhões de toneladas.
O processo de adoção de materiais transgênicos no País não foi dos mais fáceis nem mais rápidos, mas hoje o sistema regulatório de materiais geneticamente modificados é considerado um dos melhores do planeta.
Segundo o representante do setor de transgênicos da unidade da Pioneer nos Estados Unidos, Bill Belzer, o Brasil tem um dos melhores processos regulatórios do mundo por meio da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Ele destaca que a aprovação de uma variedade transgênica demora de quatro a cinco anos e que é preciso muitos estudos para se comprovar a segurança alimentar da variedade, mas que no Brasil as regras são mais claras.
No País, segundo Belzer, 33% dos custos para desenvolver uma variedade e colocá-la no mercado vai para a aprovação. E acrescenta que o Brasil é um dos mercados agrícolas mais promissores e tem condições de alimentar a população crescente. (E.Z.)

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