Com o avanço da biotecnologia no campo, o produtor brasileiro tem conseguido aumentar os resultados ao final de cada safra. Porém, lidar com essas novidades requer muitos cuidados que devem ser seguidos à risca. O agricultor do século 21 tem optado cada vez mais pela adoção dessas novas tecnologias, mas nem sempre cumpre as recomendações necessárias para a sua perpetuação.
Ricardo Abdelnoor, chefe do departamento de pesquisas da Embrapa Soja, explica que no caso da soja, por exemplo, a aceitação das tecnologias transgênicas RR (tolerância ao Glifosato) e Bt (resistência a lagartas) foi muito grande no Brasil. "Antes dessas tecnologias, por exemplo, o conhecimento em manejo era muito maior porque o agricultor precisava estudar que tipo de produto usar e qual estágio ela se encontrava", descreve o especialista.
Porém, um dos problemas com que o agricultor da nova geração tem que lidar são as pragas resistentes. Para resolver esse tipo de situação, Abdelnoor recomenda o uso da diversificação de culturas, ação que não tem acontecido no Brasil. O especialista afirma que faltam critérios para a realização do manejo em uma propriedade. "Fazer rotação é uma saída", completa o chefe do departamento de pesquisas.
Abdelnoor afirma que agricultores mais tecnificados já adotam a prática de rotação de cultura. Com relação à nova tecnologia Bt, inserida recentemente na cultura da soja, a adoção do refúgio é uma outra preocupação, já que muitos produtores que usam a tecnologia no milho não destinam uma parte da área com plantas convencionais, cujo objetivo é não criar insetos resistentes à tecnologia.
"Sem o respectivo manejo, o produtor acaba fazendo a pressão de seleção de insetos resistentes", lamenta o pesquisador. Abdelnoor acrescenta que, sem o manejo adequado, a resistência é mais rápida. A princípio, a recomendação para o refúgio em soja é de 20% da área de plantio. Porém, completa o pesquisador, tudo irá depender do sistema de manejo do refúgio.

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