Biotecnologia contra as pragas
Biotecnologia contra as pragas
Embrapa faz convênio com Cimmyt, do México, para desenvolver plantas resistentes a insetos
Da Redação
O acordo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Centro Internacional para o Melhoramento do Milho e do Trigo (Cimmyt), é no valor de US$500 mil. Além de dar ênfase à obtenção de plantas resistentes a pragas, possibilitará o treinamento de pessoal, informa a Agência Brasil, empresa federal de notícias.
O ponto alto do acordo é o uso da biotecnologia para o melhoramento de material genético. O melhoramento convencional leva muito tempo para ser desenvolvido, explica o chefe da Embrapa Milho e Sorgo, Antônio Bahia Filho.
ColaboraçãoEm 1969 o centro de pesquisa mexicano dera milhares de linhas de novos tipos de trigo para serem avaliadas por pesquisadores brasileiros. Trabalhamos em condições de igualdade, lembra Bahia. A colaboração entre as duas instituições tem-se concentrado ao longo desses anos em troca e melhoria de germoplasma.
O pesquisador afirmou que o acordo dará ênfase também ao treinamento de pessoal. Nos primeiros seis meses, pesquisadores brasileiros farão cursos no Cimmyt, na área de biotecnologia e, na sequência, pesquisadores mexicanos passarão pelas unidades da Embrapa que trabalham com o milho e trigo.
Segundo Bahia, um dos primeiros estudos a serem desenvolvidos, agora, será o de milho resistente a uma das pragas mais severas que atacam a cultura, o Bacillus thuringiensis (Bt). Há milho resistente ao Bt de clima temperado, mas não é adaptável aqui, disse.
TransgêneseA Embrapa já identificou três estirpes de outro bacilo extremamente virulento que ataca a lagarta-do-cartucho, outra praga comum na cultura de milho. Eles foram encontrados na Região Central e no
Nordeste e estão armazenados no Banco de Microorganismos da
Embrapa-Milho e Sorgo. Estamos trabalhando na transfusão gênica,
observa Bahia. O Cimmyt, por sua vez, já obteve milho transgênico
(modificado geneticamente) resistente ao cancro-da-haste.
Outro aspecto, na área da biotecnologia, abrangido pelo acordo,
conforme explicou o chefe da Embrapa-Milho e Sorgo, é o trabalho
com seleção assistida por marcadores moleculares. A técnica colabora para acelerar o processo de melhoramento genético.
Entre os três centros (Cimmyt, Milho e Sorgo, e Trigo) haverá também
uma rede de informações para facilitar o acesso às tecnologias
desenvolvidas. A divulgação terá que ser rápida, justifica. Até hoje,
a Embrapa originou 17 mil acessos ao Banco de Germoplasma do instituto mexicano.
A Embrapa vai continuar a identificar o genes que lhe interessam, para
introduzir no seu programa de melhoramento, de acordo com o pesquisador. À medida que os resultados forem surgindo, os centros de pesquisa envolvidos no acordo levarão o material melhorado para países menos desenvolvidos.
Outro aspecto a ser acertado, a partir de agora, é a relação dos institutos com a indústria e com os produtores. É incrível, mas 40%
dos produtores no mundo não usam sementes de milho melhoradas e queremos entender porquê, diz Bahia.
TrigoO melhoramento do trigo é outro ponto importante do acordo. O Brasil precisa melhorar sensivelmente a qualidade de seu trigo, segundo
Bahia. Ainda é ruim, mesmo que o Brasil lidere a produção de trigo
em solos ácidos, afirmou.
Os cursos para os pesquisadores serão dados a partir do ano que vem. Dentro do programa de treinamento, as instituições envolvidas estão organizando um curso sobre agricultura sustentável. A idéia é repassar conceitos de como transferir, para outros países produzirem essas culturas em áreas tropicais, sem prejuízo para o meio ambiente.





