Biotecnologia abre novas portas
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
A área de biotecnologia da Embrapa Soja, que iniciou seus trabalhos em 1994, tem centrado os esforços em linhas bem específicas de pesquisa, como, por exemplo, o estudo do gene DREB, que confere tolerância à seca e está sendo testado na soja. Outra preocupação é com a identificação de genes que se mostrem resistentes à ferrugem asiática e ao ataque de vários outros organismos, como bactérias, nematóides, insetos e vírus. Para chegar a isso, os pesquisadores da área percorrerão um longo caminho, que passa pela prospecção dos milhares de genes que formam a soja.
No momento, os cientistas da Embrapa estão analisando o genoma funcional da oleaginosa. Genoma, conforme traduz Ricardo Adelnoor, doutor na área de genética, é a sequência completa do DNA de um organismo. ''E o genoma funcional são apenas aquelas partes que estão envolvidas nas funções que a planta exerce. Somente esses genes é que nos interessam. Buscamos identificar os que se manifestam quando a planta é atacada, seja por fungo, por nematóide ou quando está sob efeito de seca'', explica Adelnoor.
Neste sentido, os pesquisadores da Embrapa Soja já montaram dois bancos de dados genéticos: o dos genes que respondem pela tolerância à seca e dos que se manifestam quando a planta é atacada por nematóide de galho. A meta agora é criar mais dois bancos de dados: um para os genes manifestos sob a ação do nematóide de cisto e outro para a ferrugem asiática.
Ferrugem - Desde 2001, quando a ferrugem chegou ao Brasil, a Embrapa Soja está fazendo um trabalho de prospecção genética em parceria com o Japan International Research for Agricultural Sciences (Jircas), orgão que busca fomentar o desenvolvimento agrícola de países da América Latina e da Ásia para que o Japão, que tem área agrícola reduzida, tenha maior acesso a produtos primários. O Jircas designou dois pesquisadores para colaborarem nos estudos sobre a ferrugem. Um deles é Naoki Yamanaka, 31 anos, doutor em genética molecular, que também está envolvido no projeto de cultivares tolerantes à seca. Yamanaka está em Londrina há seis meses e ficará aqui até 2007.
Segundo Ricardo Abdelnoor, estão sendo mapeados os genes resistentes à ferrugem que já estão disponíveis nos programas de melhoramento genético da Embrapa. ''O mapeamento não é demorado, mas os desdobramentos dele serão. Uma das possibilidades é clonarmos estes genes resistentes à ferrugem num embrião de soja'', antecipa.


